EXUS – Guardiões do Karma

FLEUR DE LYS

EXUS

Guardiões do Karma

Exu


FORMAS DE ATUAÇÃO

Na Terra, as condensações energéticas formadas pela comunhão de pensamentos seriam nefastas se não houvesse a atuação das vibrações ditas Exus, desfazendo as correntes astral-mentais negativas, que são plasmadas dia e noite sem trégua.

Todavia, indicaremos, de um modo geral, a atuação das entidades ditas exus quando autorizadas dentro da lei de causa e efeito, e com o merecimento conquistado por aqueles que estão sendo amparados por suas falanges: desmancham e neutralizam trabalhos de magia negra, desfazem formas-pensamentos mórbidas, retém espíritos das organizações trevosas e desfazem as habitações dessas cidadelas; removem espíritos doentes que estão vampirizando encarnados; retiram aparelhos parasitas, reconfiguram espíritos deformados em seus corpos astrais; desintegram feitiçarias, amuletos, talismãs e campos de forças diversos que estejam vibrando etericamente; atuam em todo campo da magia necessário para o restabelecimento e equilíbrio existencial dos que estão sendo socorridos.

A espiritualidade como um todo abarca todos vós, e a cada um é dado de acordo com a sua capacidade de entendimento.

Evidente que a sinagoga, a igreja, a loja, o centro, o terreiro ou o templo são meras denominações que localizam os homens em seus ideais espirituais. Nesse sentido, o Exu da Umbanda é o mesmo em todos os lugares.

(Norberto Peixoto/Ramatis, Jardim dos Orixás, 2ª edição, Editora do Conhecimento, Limeira/SP – 2006, p. 67/68, 86/87)


Há muitos espíritos que na Terra tiveram experiência na carreira militar ou em alguma outra função que lhe propiciasse o desenvolvimento de certas qualidades necessárias a um guardião. Do lado de cá, serão aproveitados como tal. Oferece-se ao espírito a oportunidade de continuar, no mundo extrafísico, trabalhando naquilo que sabe e, desse modo, aperfeiçoar seu conhecimento e ganhar mais experiência.

Muitos militares do passado, comprometidos com o mau uso do poder e da autoridade, são convocados e convidados a se reeducarem nas falanges dos guardiões, reaprendendo seu papel. Para tanto, defendem as obras da civilização em geral, o patrimônio cultural e as instituições beneméritas. Outros espíritos, que dominaram certos processos e meios de comunicação quando encarnados, são convidados e estimulados a trabalhar nos vários laboratórios e bases de comunicação a serviço dos guardiões.

Generais, guerreiros, soldados, comandantes ou os simples recrutas, das diversas forças armadas da Terra são aproveitados com a experiência que adquiriram. Transcorrido o tempo natural de transição, após a morte física, apresentamos a esses espíritos a oportunidade de se refazerem emocional e moralmente.  

(Robson Pinheiro/Ângelo Inácio, Aruanda, 2ª edição, 24ª reimpressão, Casa dos Espíritos, Contagem/MG – 2016, p. 118/119)


Segundo o espírito VOVÓ MARIA CONGA, por meio do médium Norberto Peixoto:

Na concepção original do termo, não se classifica exu em um tipo de entidade.

É um princípio vibratório que obrigatoriamente participa de tudo. É dinâmico e está em tudo que existe. É a força que impõe o equilíbrio às criaturas que ainda têm carmas negativos a saldar. E, sendo assim, abrange uma enorme parcela no Cosmo imensurável.

Cada um dos filhos tem o seu exu individual. Cada orixá com seus correspondentes vibratórios tem seus exus. É o exu, o executor das Leis Cósmicas.

A função de exu consiste em solucionar, resolver todos os trabalhos, encontrar os “caminhos” apropriados, “abri-los” ou “fechá-los” e fornecer sua ajuda e poder a fim de mobilizar e desenvolver junto à existência de cada indivíduo a sua situação cármica, bem como as tarefas específicas atribuídas e delegadas a cada um dos guias e protetores.

Infelizmente, existe muita confusão e controvérsia sobre os exus.

Na época mais cruel da escravatura dos negros, muitos fugiam e se abrigavam nas florestas. Esses esconderijos, locais de ajuntamento de escravos fugidos, na mata cerrada, ficaram conhecidos como “mocambos”.

Logo após a alforria dos negros, muitos homens mais destacados na sociedade de outrora começaram a espezinhar os ex-escravos chamando-os de “mocambos”, ou seja, rebaixando-os a fugitivos da lei.

O desdém que se estabeleceu para com esses irmãos foi de tal monta, que vários estabelecimentos comerciais e hospitais das principais capitais da época tinham em suas entradas placas com os dizeres “mocambos metidos a gente não são bem-vindos”, maneira desdenhosa encontrada de afrontar a liberdade que alcançava uma parcela importante para a sociedade da época.

Não muito diferente de outrora, e em igualdade preconceituosa dissimulada, como se tratassem de fugitivos das Leis do Cristo, muitos filhos nos dias de hoje classificam como exus as entidades espirituais que não são bem-vindas; espíritos sofridos, como obsessores de aluguel, que são um tanto violentos pois estão hipnotizados por grande poder mental que os subjuga, e com sérias deformações astrais, que se apresentam nas atividades mediúnicas em algumas casas que apregoam “fora da caridade não há salvação”.

Reconhecemos que há maior exigência dos médiuns e dirigentes nesses casos, mas os filhos não devem esquecer que tais “deformados” e sombrios espíritos são dignos de todo respeito e carinho, devendo ser tratados como “gente” do Cristo Jesus e recepcionados com o coração mais exaltado de amor e júbilo do que nas ocasiões em que os mentores aureolados de luz se fazem presentes, já que são mais necessitados do magnetismo animal para se “recomporem”.

Levam a efeito a caridade socorrista como fazia o Divino Mestre na Terra com os leprosos, aleijados, tuberculosos e loucos; a todos, atendendo com amor e dedicação esmerada, sem receio de contágios doentios.

Esses espíritos sofredores foram e são submetidos aos capatazes e torturadores das organizações malévolas e escravizantes do submundo inferior que habitam o Umbral. Verdadeiramente não tem nada a ver com os genuínos exus da Umbanda.  

Embora os espíritos que atuem na egrégora umbandista tenham a denominação de exus, não o são verdadeiramente, pois a vibração de exu em si não se relaciona com o mundo da forma diretamente, mas sim por intermédio de entidades espirituais que atuam como “procuradores” na magia de cada exu, e que se relacionam com as sete vibrações dos orixás (…).

São os genuínos exus da Umbanda que garantem a segurança dos trabalhos, mantém a organização e a disciplina e são grandes “combatentes” quando em atividades socorristas e de resgates nas organizações malévolas do Umbral Inferior. 

Os exus da Umbanda não têm nada a ver com espíritos maldosos, embora não sejam o melhor exemplo de delicadeza amorosa aos olhos dos filhos. São espíritos um tanto endurecidos pela excessiva vivência passada nos rituais de enfeitiçamentos da magia negra, pois já foram destemidos magos. 

Têm para si pesados carmas gerados por eles próprios, e evoluem no caminho do bem como todos. Realizam desmanchos e mantém a integridade física, etérica e astral dos médiuns a que se vinculam por compromissos evolutivos mútuos e por fortes laços de ancestralidade, pois ambos já se serviram nos descaminhos da magia usada em proveito próprio e para desgraça de outrem

São eficazes “exaustores”, preservando os médiuns de energias deletérias. 

(Norberto Peixoto/Vovó Maria Conga, Evolução no Planeta Azul, 2ª edição, Editora do Conhecimento, Limeira/SP – 2005, p. 188/194)


Segundo o espírito PAI JOÃO DE ANGOLA, por meio do médium Wanderley Oliveira:

Nas vielas e bordéis que se vestem de palácios de ouro ou nas choupanas do vício e da luxúria, seguem eles com olhos bem abertos.

Lá vão eles, senhores exus, de pose alegre e palavras de arrepiar, com a missão de desembaraçar a vida de muita gente.

Seja homem forte, franzino ou “matutão”, mulher ligeira – como Maria Padilha ou Cigana das Sete Saias -, são todos guerreiros e guerreiras do Senhor com olhos de felino, coração de leão e força de garanhões.

E do alto das clareiras, nos nobres planos da vida, onde brilha a luz dos olhos de Jesus, um raio desce em direção aos pântanos da dor e da loucura humana, iluminando o passo de cada exu que tem a humildade de fazer o que muitos, sequer, saberiam começar.

Salve os magos do bem! Salve os exus, magos do além!

São forças brutas descomunais nos caminhos que exigem coragem e determinação.

Benfeitores e mensageiros de Oxalá.

Salve os Orixás das sombras, eleitos pela vida para fazerem a roda andar quando a evolução trava, pois os exus são movimento e transporte de Graças Divinas para o caminhar.

Em lugares sombrios onde pouca gente consegue entrar, eles avançam com sua magia e destemor. São agentes petulantes e sabidos, senhores da alegria e da coragem.

Ninguém vê um exu triste ou sombrio. Seu sorriso é defesa pura, sua música é ciência que destrói as forças da maldição. 

Exus são causadores da luz, zeladores das contas cámicas e defensores da paz.

Enquanto os homens aguardam a justiça de Xangô nos reinos elevados dos prudentes e sensatos, os exus são aplicadores da lei que retiram o mal onde é para florescer lírios de bondade. Eles aproximam o bem de quem cultiva o canteiro da vida com as boas obras.

Onde a luz do amor não penetra, por respeito aos costumes do mal, eles são cartas que vêm do mais alto com uma mensagem de Deus para onde for, regendo e conduzindo os destinos de todos nós.

É com reverência aos seus serviços em nome do amor que pedimos a Oxalá toda força e purificação aos destinos dessas almas que servem à luz, destacados para sanear os pátios do purgatório e do inferno profundo em nome de Jesus.

Os espíritos que costumam se dizerem exus e fazem o mal, associados a falanges dos magos negros ou cientistas do mal, são escravizados, assalariados ou mais conhecidos na Umbanda como quiumbas – desordeiros e marginais no mundo espiritual.

Os quiumbas são espíritos ainda muito ligados às sensações físicas e alguns carregam perturbações mentais e emocionais graves. Em geral, são corruptos e se apropriam de nomes de entidades de grande expressividade nas regiões astrais inferiores para poderem se impor.

Utilizam o nome dos dragões, dos exus e até de entidades de grande elevação espiritual.

Costumam usar aparência assustadora e transfiguram-se nas mais bizarras formas para causar medo e abusar das pessoas por meio de intimidações e cobranças descaridosas.

Mas o tema “exus” é muito complexo.

Mesmo aqueles que são graduados Guardiões, por algum motivo ou necessidade, podem possuir ou mesmo se utilizar de uma fisionomia de impacto pertencente a um conjunto de regras estabelecidas, inerente às suas hierarquias, as quais devem ser observadas.

Apesar de não possuírem chifres, tridentes e aparência diabólica, alguns desses trabalhadores podem adotar algo dessas expressões, nem sempre estéticas e até intimidadoras, para o cumprimento de suas atividades em regiões do submundo.

É fato que eles são de temperamento forte, às vezes até agressivos, mas nesse caso, mesmo com algumas condutas menos polidas, estão a serviço dos orientadores da luz e sob acompanhamento cuidadoso, porque a função dessas entidades é executar tarefas de alcance vibratório muito pesado. Podem ocorrer casos em que alguns desses espíritos estejam no início de uma mudança para melhor, meio lá, meio cá, no que diz respeito a trabalhar para o bem.

Os exus são considerados, pelos pesquisadores da Umbanda, como Guardiões da Lei de Justiça, da ordem e da disciplina, e no Candomblé como Orixá, uma força da natureza representativa do elemento ativo, vitalizador, a força yang.

Os exus também podem ser conceituados como uma linha vibratória cósmica cujo propósito é abrir caminhos para o equilíbrio.

Nas equipes de Bezerra de Menezes, Maria Modesto Cravo, Eurípedes Barsanulfo, Ermance Dufaux, André Luiz e várias outras entidades espirituais, muito conhecidas nas comunidades espírita e espiritualista, temos sempre a presença dos Guardiões. Eles cumprem, principalmente, as funções de defesa, limpeza energética mais densa e ação disciplinadora.

Os exus e Guardiões têm dois traços emocionais em comum: a força e a justiça.

Além desses traços emocionais, são espíritos com poder mental muito desenvolvido. 

Na maioria dos casos foram médiuns, alquimistas, magos, bruxos, exímios manipuladores de energia em suas encarnações passadas.

Existem também os Exus Pombagiras, que trabalham com a força feminina, sempre buscando o equilíbrio, seu objetivo primordial.

Por isso, a proteção dos filhos de terreiro é constituída por verdadeiras tropas de choque comandadas pelos exus, conhecedores das manhas e das astúcias das falanges do mal.

Sua atuação é permanente na crosta terrena e vigiam atentamente os médiuns umbandistas contra investidas do mal, certos de que a defesa ainda é precária pela ausência de conduta moral superior, ainda bastante rara entre as melhores criaturas, seja na Umbanda, no Espiritismo ou em que religião for.

Os chefes de legião, falanges, subfalanges, grupamentos, colunas, subcolunas, e integrantes de colunas, também assumem pesados deveres e responsabilidades na segurança e proteção de seus médiuns.

Daí as fortes descargas fluídicas que se processam nos terreiros, após certos trabalhos, com a colaboração das falanges do mar e das cachoeiras, da defumação dos médiuns e do ambiente, bem como por meio da água fluidificada.

Eles são espíritos detentores de habilidades mentais para abrir e fechar portais*. Por conta do nível de suas características morais, são imponentes, fortes, destemidos e algumas vezes até rudes de tão diretos.

Captam habilmente a energia da injustiça, pois a farejam com a mente. Mais do que pensamentos e emoções, são capazes de ler as intenções por trás delas e, por essa razão, desenvolveram a capacidade de saber quem mente e quem fala a verdade.

Penetram com extrema facilidade nas memórias cármicas do corpo mental inferior e dominam a arte de aumentar a energia vital das pessoas, seja buscando na natureza ou mesmo em outros encarnados.

Em virtude de sua força mental, interrompem processos de magias, dissolvem energias tóxicas da aura, eliminam bactérias astrais que se alojam nos chacras e são capazes de, em minutos, promover um asseio de energia deletérias, das quais uma pessoa levaria anos para se livrar.

Porém, apesar de serem reconhecidos por essas qualidades de ordenadores e regentes de leis, têm suas gradações morais. 

Sua função é decantar a negatividade desse planeta. São autênticos lixeiros do astral e executores dos destinos humanos.

Uma visão real da imortalidade vai revelar o papel dos Guardiões no surgimento do Espiritismo na França, bem como a missão da Umbanda, mais especialmente dos exus, no aparecimento do Espiritismo no Brasil.

O mal organizado agiu com todas as suas cartas para impedir o nascimento da doutrina em solo brasileiro.

Allan Kardec, além da proteção direta do Espírito de Verdade, era assessorado por guardas intergalácticos dos falangeiros do Arcanjo Miguel, seres de outras esferas terrestres que, sob a tutela do Cristo, fizeram a proteção do codificador a fim de que conseguisse consolidar a mensagem espírita no planeta.

As referências sobre esse lado sombrio e sua força de oposição são ignoradas pela maioria dos adeptos espíritas.

O processo não se deu como mera realização de um planejamento de anjos, foi uma guerra entre o bem e o mal.

Sem os Guardiões e os exus não teríamos hoje a Doutrina Espírita no plano físico.

Eles fizeram o papel anônimo de zeladores do patrimônio espiritual das Obras Básicas, enfrentando os mais complexos e ousados planos das trevas para arruinar as chances de implantação das luzes do Espiritismo ao esclarecimento do pensamento humano e da ampliação da fé racional entre os homens.

*Os portais são campos energéticos que permitem passagem a dimensões diferentes no astral.

(Wanderley Oliveira /Pai João de Angola, Guardiões do Carma – A Missão dos Exus na Terra, Dufaux Editora, 1ª edição, Belo Horizonte/MG – 2017, pág. 14/16, 18/22, 77/78, 98/99, 127 e 130)


Como algumas formas de apresentação na Umbanda – notadamente as de Pretos Velhos e de Crianças – são “ocupadas” por espíritos que vibram em certas frequências mais sutis, ficam “impedidas” de atuar em determinados sítios vibracionais – de sofrimentos das humanas criaturas encarnadas e desencarnadas e onde se exigem intensos desmanches energéticos, sob pena de se imporem pesados rebaixamentos vibratórios que seriam motivo de esforço desnecessário, pela regularidade exigida nesse tipo de atuação nas lides umbandistas. Para tanto, se utilizam da “serventia” dos Exus como instrumentos e agentes da magia – como se fossem partes, mas cada um na sua faixa de caridade e ação energética, se “complementando” no ideal de amparo e socorro àqueles que fazem jus diante dos tribunais cósmicos. Isso não significa que as entidades Exus sejam menos evoluídas do que as demais e muito menos que não possam existir espíritos iluminados, libertos completamente do ciclo reencarnatório, atuando por amor a nós como Exus. 

Exu, sendo o senhor dos caminhos abertos, transmite o conhecimento e a sabedoria necessários à realização de um bom destino na existência ampla – humana na Terra (Ayê) e espiritual no Plano Astral (Orun). Por isso é aquele que “abre” os caminhos para quem recorre a ele em busca de alívio às suas dores e sofrimentos, quando estão desorientados e confusos, sem senso de direção. Há que se considerar que Exu abre os caminhos, mas não os cria. Os caminhos foram criados antes do espírito reencarnar e pertencem ao seu programa de vida, à cabaça da existência espiritual. Ou seja, Exu abre e mostra os caminhos, mas não dá os passos por ninguém, pois cada um deve aprender a caminhar com seus próprios pés. Logo, Exu não facilita nem prejudica, ele “simplesmente” é executor do destino, doa a quem doer, o que, por vezes, o faz ser incompreendido.

Exu “transita no mundo dos mortos” e age em nosso auxílio. Devemos compreender que a morte não é só física, cadavérica, com cemitérios e ritos fúnebres.

A atuação de Exu nos processos de morte se refere à renovação, pois tudo no universo humano tem um início e um fim: fatos, projetos, circunstâncias, conflitos – são ciclos que nascem e morrem.

Há que se esclarecer que Exu zela por valores éticos e reconhece o poder de melhoramento dos seres humanos. Todavia, apoia e favorece as mudanças pessoais, indispensáveis à prática de virtudes que alicerçam o bom caráter. Quando isso está ausente, Exu não aprecia e não apoia, pois a indisciplina e a desorganização não fazem parte de sua ação. Ao contrário, ele retifica, faz a sombra vir à tona para o indivíduo se aprumar, mesmo que aparentemente isso possa parecer maldoso, pois Exu, acima de tudo, é justo, doa a quem doer. 

Há de se ter bem claro que Exu não faz mal a ninguém, ao menos os verdadeiros. Quanto aos espíritos embusteiros e mistificadores que estão por aí, encontram sintonia em mentes desavisadas e sedentas por facilidades de todas as ordens.

Os Exus atuam diretamente no nosso lado sombra e são os grandes agentes de assepsia das zonas umbralinas. 

Em seus trabalhos, cortam demandas, desfazem feitiçarias e magias negativas feitas por espíritos malignos, em conluio com encarnados que usam a mediunidade para fins nefastos. Auxiliam nas descargas, retirando os espíritos obsessores e encaminhando-os para entrepostos socorristas nas zonas de luz no Astral, a fim de que possam cumprir suas etapas evolutivas em lugares de menos sofrimento.

Essas abnegadas entidades, que buscam acima de tudo a evolução, são comparadas a demônios, a entidades malignas, e tendenciosas que se vendem em troca de bebidas alcoólicas e despachos em encruzilhadas.

Quem pensa estar agradando a Exu com tais “mimos” está, na realidade, simplesmente alimentando fluídica e energeticamente espíritos desqualificados que se aproveitam do desconhecimento de criaturas que ainda imaginam que religião se faz somente com o dia a dia e seguindo a “tradição” oral distorcida passada de geração a geração.

Os verdadeiros Exus da Umbanda são espíritos que, de tanta humildade, nem mesmo se melindram com essas distorções grosseiras das quais são vítimas; estão sempre prontos para penetrar em ambientes onde outros espíritos já mais evoluídos teriam dificuldades para ir em virtude do descenso vibratório que se faria necessário.

Transitam com desenvoltura pelos mais intrincados caminhos do umbral inferior investidos da proteção de serem representantes do Cristo na Luz, resgatando aqueles espíritos que se fazem merecedores após esgotarem sua negatividade nos lodaçais umbralinos.

Quando lhes é conveniente, utilizam-se inclusive da própria roupagem fluídica que lhes é imputada pelas crendices populares, que podem transformá-los visualmente em criaturas de “meter medo” até nos maiores crentes do Astral inferior ou nos desavisados que possuem a mediunidade de vidência.

Graças às falanges desses trabalhadores incansáveis, é possível levar a caridade aos irmãos necessitados em milhares de locais que laboram com a segurança conferida pelos guardiões que cercam o perímetro dos centros espiritualistas, enquanto outros fazem o transporte dos desencarnados que já estão em condições para os devidos locais de refazimento ou evolução.

Ao término dos trabalhos no plano físico, muitas vezes o trabalho no Astral está recém iniciando, tal a importância dessas entidades nos desmanchos de magia, descargas energéticas e incursões às camadas inferiores.

Seria muito complicado e, por que não dizer, impossível às entidades de outras linhas trabalharem sem os Exus garantindo o transcorrer tranquilo das mesmas junto à crosta.

Constituem uma força Astral nada desprezível e organizam-se à semelhança de um exército, com seus diversos departamentos hierárquicos. 

Há necessidade de se estabelecer ordem e disciplina em todos os domínios do Universo. Dessa forma, a falange dos guardiões desempenha uma função de zelar pela harmonia, a fim de evitar o caos no mundo Astral terrícola. Reflitamos que a presença de representantes da ordem atuando como forças disciplinadoras nas regiões inferiores é imprescindível, se levado em conta o estado atual da evolução planetária. Poderíamos imaginar como seriam nossas atividades espirituais sem a dedicação e o trabalho dos Exus guardiões? Imaginemos ruas, quadras, bairros, cidades ou países sem policiamento, sem disciplina, sem ordem alguma…

Existem barreiras magnéticas de proteção e falanges espirituais zelando pelos desligamentos. Consideremos que as tumbas mortuárias são quase inexpugnáveis, salvo nos casos em que são permitidas as violações no Astral. 

Tenhamos em mente que determinados espíritos, suicidas indiretos (como os alcoolistas, os viciados em drogas e os motoristas que ultrapassaram os limites de segurança e acabaram morrendo prematuramente), não cumpriram o prazo necessário de permanência nos corpos físicos, já que vieram programados com um quantum de energia para “x” anos de vida. Quando interrompem essa programação, mesmo que inconscientemente, têm de cumprir o prazo de vida restante ficando seus perispíritos “grudados” nos despojos carnais, ou seja, não serão desligados dos restos cadavéricos até que expire o tempo de vida que ainda teriam que viver.

Nesses casos, os Exus de cemitérios – de calunga – zelarão pela integridade das tumbas mortuárias, como também acompanharão e assistirão de perto os desligamentos daqueles que têm merecimento.  

(Norberto Peixoto, Exu – O Poder Organizador do Caos, 2ª edição, Editora Legião, Porto Alegre/RS – 2016, p. 23, 25, 36, 111, 119/120, 124/125, 131/132)


Segundo o espírito MARIA MODESTO CRAVO, por meio do médium Wanderley Oliveira:

Eles são implacáveis, determinados e severos sempre que necessário; no entanto, equilibram-se continuamente no fio da honestidade.

Sabem exatamente o que corrigir quando alguém abusa; como cooperar ao faltar apoio; como buscar, nas dobras quânticas do tempo, a razão de alguma dor, com profunda noção de causa e efeito, o que lhes permite servir como agentes da lei cármica.

Exercem um trabalho muito especializado nas furnas do mal, enfrentando situações extremamente hostis.

Deve-se ter muito amor no coração para realizar o que só os exus são capazes de fazer, pois, graças a eles, o amor está presente nas trevas.

Pessoas negligentes caminham seguramente para o egoísmo e os tempos novos do planeta exigem desprendimento, postura altruísta e ativa. A dor nesse cenário cumpre papel edificante.

Porém, a liberação dessas contas exige vigília e medidas justas para conduzir a personalidade acomodada a novos aprendizados.

Os exus cumprem esse papel de forma irretocável.

São senhores do carma, sentinelas da justiça e entidades que servem ao amor nos terrenos mais ásperos dos caminhos humanos.

Cientes de que as raízes profundas do mal que se alastra no mundo físico estão nas zonas astrais da crueldade intencional, cabe aos exus mergulhar nos labirintos e portais do submundo para trabalhar por dias melhores e pela reorganização das esferas onde se localizam a desordem e o desamor.

(Wanderley Oliveira, Guardiões do Carma – A Missão dos Exus na Terra, Dufaux Editora, 1ª edição, Belo Horizonte/MG – 2017, pág. 10/12)


Exus Guardiões

ORIGEM E ATUAÇÃO NA ZONA DAS SOMBRAS

Muitas e muitas vezes as hostes do dragão, habitantes das zonas condenadas do universo, até o dia em que se reequilibrarem vibratoriamente, tentarão invadir a superfície cósmica, através das correntes mentais desequilibradas dos ditos marginais do Universo. 

Mas sempre esbarrarão em verdadeira barreira cósmica, que como guardiã os impede de realizar esse intento.

Dessa forma, simplificadamente, é que surgiu no universo astral, em todos os locus, o império das sombras e das trevas, que nada mais são do que zonas de desequilíbrio e ignorância em que habitam os agentes da revolta e insubmissão, claro que temporárias, pois SÓ O BEM É ETERNO.

Dissemos que as zonas condenadas do Cosmo tinham verdadeiras barreiras vibratórias e também tinham, é claro, seus donos vibratórios, como Guardiães, enviados dos Orishas Superiores (vide Hierarquia Espiritual).

No sistema solar relativo ao planeta Terra, esses 7 Guardiães da Luz para as Sombras, através da misericórdia do Cristo Jesus, arrebanharam vários milhares, milhões de marginais, e os colocaram na roda das reencarnações, visando restabelecer-lhes o equilíbrio de há muito perdido.

Muitos deles, após reencarnarem dezenas de vezes, recuperaram esse equilíbrio, sendo logo atraídos ou chamados a trabalhar dentro da faixa vibratória afim aos 7 Guardiães da Luz para as Sombras, visando recuperar-se definitivamente perante as Leis Universais.

Assim é que, das noites escuras da insubmissão e do erro, surgem no plano astral do planeta Terra, após passarem por verdadeira aurora renovadora e saneadora, atraídos que foram pelos 7 Guardiães da Luz para as Sombras, aqueles que seriam os agentes da justiça ou disciplina kármica – Exu, que firmou as suas 7 Espadas (poder e justiça) nas 7 Encruzilhadas, que são os caminhos de seu reino (os 7 Entrecruzamentos Vibratórios, ou as Linhas de Força, que se entrecruzam).

Assim, surgiram no planeta Terra os Exus, legiões de Espíritos na fase de elementares, isto é, Espíritos em evolução dentro de certas funções kármicas.

O karma, como sabemos, tem reajustes e cobranças, essas são feitas pelos Exus, que assim fazendo cooperam para o equilíbrio da Lei, equilibrando também suas próprias necessidades perante essa mesma Lei.

(…) Os Exus não são, como muitos querem, Espíritos irresponsáveis, maus, diabólicos ou trevosos. Os verdadeiros maus e trevosos são aqueles a quem eles arrebanham, controlam e frenam.

Com isso, não estamos afirmando que Exu só faça o bem, segundo o conceito corrente de bem. Exu, na verdade, está acima do conceito do bem e do mal, porém ligado ao conceito de JUSTIÇA.

Assim, o bem e o mal são condições necessárias ao seu próprio aprendizado e equilíbrio perante as Leis Cósmicas. Esses são os aspectos que eles enfrentam, quer para um lado, quer para outro, desde que isso entre na órbita de suas funções kármicas, pois nunca fazem nada por conta própria. São sempre mandados a operar ou intervir em certos reajustes, cobranças, etc. 

É dentro dessas condições que operam os Exus; aparentemente prestam-se aos trabalhos de ordem inferior, porém necessários, porque tudo tem seus paralelos e veículos executores. O Filho de Fé atento deve estar observando que as funções de Exu são de importância vital para o karma coletivo, grupal e individual, não podendo ser Exu, portanto, um Ser Espiritual trevoso, agente do mal.

Ao contrário, é ele um Ser Espiritual com responsabilidades definidas perante o contexto da Lei Kármica, executor fiel das ordenações de cima para baixo, emissário executor da luz para as sombras e dessas para as trevas.

Exu, até em muitos e muitos casos, é responsável pelo reencarne e desencarne aqui no planeta Terra, técnico que é nesse mister.

Os 7 Orishas estenderam aos seus Guardiães da Luz para as Sombras o comando das ações, das cobranças e reajustes kármicos.

Esses, por sua vez, arrebanharam logo que puderam aqueles que foram marginais do universo, agora regenerados e necessitando da complementação nas suas fichas kármicas e que, após esse complemento ou reajuste, se libertariam da função kármica de atuação como Exu.

Assim, as 7 Entidades ditas Exus Cabeças de Legião são:

  • Exu 7 Encruzilhadas;
  • Exu Tranca-Ruas;
  • Exu Marabô;
  • Exu Gira Mundo;
  • Exu Pinga Fogo;
  • Exu Tiriri;
  • Exu Pomba-Gira.

Esses Exus denominados Coroados, formam a Coroa da Encruzilhada. São coroados pois são os mais elevados dentro da Hierarquia dos Exus, ou componentes da Cúpula dos Exus, ditos Guardiães. Receberam a coroa do compromisso de serem os Agentes da Justiça Kármica e Agentes da Magia Cósmica.

Os 7 Exus Guardiães Cabeças de Legião comandam um verdadeiro exército, dividido em planos, subplanos, grupos, subgrupos e colunas.

Na verdade, a Coroa da Encruzilhada é formada por 49 Exus, os quais se dividem ou entrosam dentro das 7 Vibrações Originais ou 7 Linhas.

Os 7 Exus Cósmicos são:

EXU CÓSMICO

ORIXÁ

Exu 7 Encruzilhadas Orixalá
Exu Tranca Ruas Ogum
Exu Marabô Oxossi
Exu Gira Mundo Xangô
Exu Pinga Fogo Yorimá
Exu Tiriri Yori
Exu Pomba-Gira Yemanjá

(F. Rivas Neto/Yamunisiddha Arhapiagha, Umbanda, a Proto-síntese cósmica, 1ª edição 2002, 9ª reimpressão 2016, Pensamento Editora, São Paulo/SP – 2016, 343/348)


Bombogira

BOMBOGIRA

(Pombagira)

A Bombogira, na Umbanda, é a contraparte feminina de Exu. Originalmente, na estrutura cosmogônica nagô, Exu é masculino, não existindo Exu feminino. Ocorre que a Umbanda sofreu influência também de origem bantu – Angola -, que tem divindades chamadas inquices (nkise), entre elas Aluvaiá, Bombogira, Vangira, Pambu Njila.

Naturalmente, por associação, a Umbanda, tendo surgido no estado do Rio de Janeiro, de forte influência africana bantu, foi absorvendo em seu panteão a figura de Bombogira, dando oportunidade a uma plêiade de espíritos comprometida em se manifestar na polaridade feminina – mulheres – vir a trabalhar no mediunismo.

Entendemos a Bombogira como mensageira junto aos Orixás femininos, trabalhando na magia que envolve principalmente aspectos a serem ajustados por desequilíbrio das humanas criaturas: abortos, traições amorosas, feitiços sexuais… O fato de algumas dessas entidades, em seu passado, terem sido prostitutas não as desmerece, assim como Maria de Magdala (Maria Madalena) foi a grande apóstola de Jesus.

(Norberto Peixoto, Exu – O Poder Organizador do Caos, 2ª edição, Editora Legião, Porto Alegre/RS – 2016, p. 152/153)


As “Pombagiras” são entidades vistas como a personificação das forças da natureza.

Ela equivale à força feminina de exu, especializada em amor e relacionamentos por ser a Orixá do desejo e dos estímulos.  Têm personalidade forte, são poderosas…

(Wanderley Oliveira, Guardiões do Carma – A Missão dos Exus na Terra, Dufaux Editora, 1ª edição, Belo Horizonte/MG – 2017, p. 22 – nota de rodapé) 


Exu Caveira 2

EXU CAVEIRA

A realização do desmancho das organizações trevosas, algo muito complexo pelo meio inóspito em que acontece, requer certa “especialização” que somente os Exus alcançaram, tal qual a polícia convoca o técnico arrombador para abrir o cofre de que ninguém conhece o segredo ou o desarmador de bombas que poucos se atrevem a chegar perto!

Os Exus “caveira” atuam no limite entre a vida carnal, que se esvai, e a vida além-túmulo, que inicia.

Pensemos em nossas cidades sem o recolhimento do lixo urbano, sem policiamento ostensivo ou sem o trabalho da guarda penitenciária, e teremos um quadro semelhante do que seria o Plano Astral sem os trabalhos dos prestimosos Exus.

Muitas são as frentes de trabalho ofertadas a espíritos que necessitam de um “salto” evolutivo. Pela natural consequência das leis de causalidade que regem a harmonia cósmica, os espíritos que atuam numa legião de Exus “caveira” têm carmas semelhantes, embora distintos, o que torna impossível elencar um a um.

(Norberto Peixoto, Exu – O Poder Organizador do Caos, 2ª edição, Editora Legião, Porto Alegre/RS – 2016, p. 158/161)


Linha de Esquerda

COM A PALAVRA, OS EXUS

Exu SETE, por meio do médium Robson Pinheiro:

“Exu é uma palavra comum ao vocabulário do candomblé e dos demais cultos de influência africana, usada também em algumas tendas de umbanda. Mas os nomes, em si mesmos, têm a finalidade apenas de nos identificar; não é importante que nos chamem deste ou daquele jeito.

Na umbanda e no candomblé somos chamados de exus, porém, em outras doutrinas ou religiões os nomes mudam. Não faz diferença, somos apenas guardiões a serviço do bem, da justiça e da paz.

De qualquer forma, é interessante observar o sentido original do termo exu, que representa, no contexto da mitologia africana, o princípio negativo do universo, em oposição a orixá, que seria a polaridade positiva.  Os exus são, por outro lado, entidades que atuam como elemento de equilíbrio e de ligação com o aspecto negativo da vida e com os seres que se apresentam como marginais do plano astral.

Na verdade, Exu é uma força da natureza, a contrapartida de Orixá. Tudo é duplo na natureza, tudo possui a polaridade positiva e a negativa: homem e mulher, masculino e feminino, luz e sombra ou yang yin, na terminologia chinesa.

Assim sendo, para a cultura africana, Orixá representa o lado positivo, enquanto Exu, o lado negativo. Repare: negativo, e não mal; apenas o oposto, a polaridade. Exu é força de equilíbrio da natureza.

Como entidade reencarnante ou como espírito imortal, exu representa a abertura de todos os caminhos e a saída de todos os problemas, Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas, e também é vaidoso e viril.

Ocorre entre nós algo semelhante ao que acontece em um exército, no qual há os militares mais conscientes de suas responsabilidades e também aqueles recentemente alistados, sem consciência tão ampla assim. De um lado, temos os exus superiores, guardiões mais responsáveis, que não se prestam a objetivos frívolos nem compactuam com os chamados despachos ou ebós, recurso compartilhado por ignorantes dos dois planos da vida. De outro, estão os exus menores, aqueles que poderíamos chamar de recrutas, e os guardiões particulares, que, não tendo ainda maiores esclarecimentos, são subordinados ao alto comando. No entanto, todos têm seu livre-arbítrio, e, vez por outra, esses guardiões de vibração inferior entram em sintonia com os homens e médiuns ignorantes, estabelecendo com eles uma ligação energética doentia ou infeliz.”

(Robson Pinheiro/Ângelo Inácio, Aruanda, 2ª edição, 24ª reimpressão, Casa dos Espíritos, Contagem/MG – 2016, p. 123/125)


Exu JOÃO CAVEIRA, por meio do médium Norberto Peixoto:

“(…) Tive várias encarnações, mas uma me marcou especialmente e me trouxe às faixas vibratórias “infernais” onde hoje atuo. Vim para o Brasil numa nau portuguesa. Era um jovem príncipe nagô e fui retirado de minha nação e clã, perdendo o cetro sacerdotal que herdaria do meu pai. Cá chegando, fui misturado com escravos de outras origens e etnias africanas, o que me causou muito ódio. Eu, um príncipe de alta ascendência étnica do Ketu, no meio da plebe, numa senzala!

(…) Trabalhei arduamente na plantação e colheita de cacau, pois era muito forte e alto. Logo caí nas graças do patrão, dono da fazenda, que me prometeu alforria se eu me tornasse capataz dos escravos. Assim, eu, um espécime de negro nagô da raiz da antiga e pujante cidade do Ketu, tornei-me o maior algoz do meu povo e de todas as outras nações africanas no interior da Bahia, prestando serviços para inúmeros fazendeiros escravistas. Perseguia os ritos religiosos e não dava trégua aos fugitivos, até capturá-los de volta. Eu era muito bom em persegui-los e meu passatempo predileto era trazê-los de volta e decapitá-los, deixando suas cabeças expostas em galhos de árvores para urubus se alimentarem, ou em cima de formigueiros para as formigas vorazes rapidamente devorarem os olhos e sobrarem dois buracos horripilantes nas faces. Para um nagô, isso é a pior coisa que pode acontecer: não aplicar o ritual do axexê aos mortos. Dessa forma, eles não se tornariam amoruns, ou seja, habitantes de Orum – o céu em nossa crença.  

(…) Eu os tornava, com requintes de sadismo e crueldade, espíritos presos na crosta, mendigos do além-túmulo, sem lugar adequado para existirem, contrariando suas crenças religiosas. 

Ao desencarnar, assassinado pelos negros escravos numa cilada no meio da plantação de cacau, tive meu corpo decapitado e os pedaços foram jogados para os cachorros. No outro lado da vida, sofri nas mãos de todos aqueles que assassinei, até o dia em que caí exaurido e chorei copiosamente, pedindo perdão aos Orixás do meu clã. Nesse momento, apareceu na minha frente meu pai, que tinha ficado na África e que eu nunca mais tinha visto. Sacerdote zeloso para com os orixás e para com o nosso clã e a nossa crença, me abraçou calorosamente a apresentou-se como Pai João das Almas, me dizendo: ‘Agora sou um pescador de Olurum, que é o Deus onipotente, que nos deu vida e não faz separação. Todos somos filhos d’Ele e irmãos de uma mesma família. Sendo filhos da mesma mãe e do mesmo pai espiritual, não pode haver diferença entre nós e a todos são dadas as mesmas oportunidades de redenção.’

(…) Com suas palavras doces e sábias, ele me perguntou: ‘Queres ajuda daquele que acredita no que profanaste em tua última e recente vida?’

Em prantos, disse que sim e caí em seu colo.

Acordei no Astral em uma estação socorrista nagô ligada ao Brasil. Em pouco tempo, fiquei forte e recuperado como o jovem de outrora.

Informaram-me que estava se formando uma nova religião no Brasil, decorrente da perseguição religiosa e da proibição dos negros e dos índios de se manifestarem através da mediunidade. Deram-me a oportunidade de trabalhar em uma legião de Exus caveira e também um novo nome, passando eu a ser, simbolicamente, mais um João como muitos outros, embora com uma história própria, como todos os demais. Então, desde o início do século passado, cá estou no Astral brasileiro, sob a bandeira da Divina Luz, a Umbanda. Já poderia ter reencarnado, mas pela urgência e pelo tamanho da empreitada assistencial nas zonas trevosas do orbe (que cada vez se avolumam mais nestes tempos chegados), do lado de cá vou ficando, com bênçãos dos Orixás Exu e Oxalá.”         

(Norberto Peixoto, Exu – O Poder Organizador do Caos, 2ª edição, Editora Legião, Porto Alegre/RS – 2016, p. 158/161)


Exu CAVEIRA, por meio do médium André Cozta:

“Da porta do cemitério ao Cruzeiro das Almas, ando e posso perceber quão triste é o resultado de uma vida inteira no plano material dominada pela vaidade, pelo ego e pela ilusão.

Vejo espíritos que perambulam, choram, urram de dor. Sofrem pelos mais variados motivos. Não aceitam a condição em que se encontram, mas também nada fizeram, enquanto encarnados, para trilhar um caminho melhor.

Sou incompreendido, taxado de demônio, porque sou um aplicador da Lei, um servidor do Divino Pai Omolu. Ele é um Orixá também muito deturpado no plano material pelo mito que o define como uma divindade má e implacável, um demônio.

O homem, especialmente em função das religiões mentalistas, conseguiu afastar-se de Deus, da grande Verdade que é nosso Pai Criador.

Quem pode me ver ou, ao menos, sentir minha presença, se não estiver esclarecido, dirá que há um espírito maligno por perto.

Maligno é o preconceito que separa a humanidade e, invariavelmente, conduz essas pessoas ao habitat onde impera a ignorância: as trevas humanas.

Mas, infelizmente, preciso dizer aos senhores e senhoras que leem esta mensagem, que as trevas não estão somente sob os seus pés. Habitam os íntimos de muitos de vocês.

Alguém poderá dizer: ‘Como posso eu, um cristão, adorador de Deus, ter trevas em meu interior? O que o senhor está falando é uma heresia!’

E eu retruco: ‘Infelizmente, muitos de vocês, ainda que pensem desta forma, estão cultivando um pedaço das trevas em suas almas, quando usam da língua para o próprio benefício e quando disseminam o preconceito.’

Aquele que olha para um semelhante, um irmão seu em Deus, com superioridade, está atravancando a evolução do Todo, que é a Criação do Pai.

Assim começam, sempre, os grandes problemas que hoje assolam o plano material.

Se você enxerga um Exu trabalhador como eu e se apavora, tenha certeza, você trabalhou muito, mesmo que inconscientemente, para a construção desse arquétipo.

Quando se deparar comigo, seja no cemitério, num trabalho de Umbanda ou Quimbanda, ou até mesmo nas trevas, estará olhando para o seu interior.

Não tenha medo do meu corpo esquelético, porque posso ser seu amigo e ajudá-lo a subir, a galgar novos degraus na sua escala evolutiva. Mas também posso ser aquele que aplicará a Lei de Deus, deixando-o nas trevas até que você se reforme interna e consciencialmente.

Só dependerá de você, tenha certeza!

Por isso, encerro esta mensagem suplicando a todos os humanos encarnados que joguem o preconceito para baixo dos pés, para bem fundo, a fim de que caia onde deve ficar, nos domínios da ignorância. E que olhem para o Alto, elevem o pensamento ao Pai e se comprometam em retribuir para a constante evolução da Criação.

Deixe o amor fluir. Então, olhará para mim e verá um amigo, um irmão que quer ajudá-lo a trilhar seu caminho sem percalços.

Venha! E, se precisar, apoie-se no meu cetro. Ele estará sempre à sua disposição, desde que queira ser mais um filho de Deus atuando dentro e em prol da Lei d’Ele.

Eu sou Exu Caveira!”

(André Cozta, O Anfitrião do Campo-Santo, 1ª edição, Madras Editora, São Paulo/SP – 2014, p. 13/15)


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FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. (Allan Kardec)
Chico 01
 EDITADO EM 21.05.2019

 

 

 

 

 

ESPÍRITOS AMPARADORES

FLEUR DE LYS

ESPÍRITOS AMPARADORES

Apometria


 MENTORES – AMIGOS ESPIRITUAIS

Segundo o espírito IRMÃ TERESA, por meio do médium J.S. Godinho:

Quando os mentores se permitem uma nova encarnação, é somente com o intuito de servirem como mensageiros na Terra.

Foi o que aconteceu com Jesus, Francisco de Assis e outros.

Alguns espíritos já voltaram à Terra depois de terem o Corpo Astral desintegrado para que pudessem habitar esferas superiores, reconstruindo-o novamente.

A reconstrução do Corpo Astral é um processo lento e muitas vezes doloroso, como se estivéssemos entrando num processo de involução.

É claro que os irmãos das esferas superiores já têm todos os seus sentimentos sublimados e quando nos permitem a graça de sua presença, fazem com tanto amor, demonstrando essa evolução, que nós muitas vezes nos sentimos realmente pequenos e necessitando crescer para ficarmos mais perto deles, grandes e tão humildes. Pois a verdadeira grandeza está em saber ser humilde.

Cada um dos irmãos não tem apenas um mentor em particular, mas sim um grupo de amigos espirituais que o auxiliam na condução de sua nova encarnação.

O espírito, que poderíamos colocar como mentor-chefe dessa equipe de amigos, tem um grau de evolução um pouco maior, mas sempre ligado a alguma encarnação do ser encarnado no momento.

E os demais, se não estiverem preparados da mesma forma, terão algo fundamental como o amor fraterno e vocês estarão sendo abençoados pela presença deles.

Então, normalmente são espíritos ligados a nosso passado, que se unem a nós encarnados, fazendo o que chamamos de um trabalho de mentor ou anjo de guarda. Essa equipe pode ser visualizada na forma de um espírito, mas tenham a certeza de que são vários os amigos que estão auxiliando todo o tempo.

Das esferas superiores sempre vem a designação de uma atenção maior, quando a tarefa do encarnado é mais difícil ou mais séria.

Quando já temos condições de orientar uma pessoa em particular ou algumas de modo geral, ainda assim temos de receber outras informações vindas de planos mais altos, para que possamos tomar certas decisões e orientar nossos pupilos.

Se isso acontece com quem está no plano espiritual, cabe a vocês que estão no mundo físico e têm acesso a essas informações, que lhes transmitimos, repassar aos que não têm.

Quando os amigos do plano espiritual assumem o trabalho de guiar e auxiliar algum encarnado, mesmo que ele não siga o caminho delineado pela espiritualidade, permanecem ao seu lado.

(J. S. Godinho/Irmã Teresa, Mediunidade e Apometria, Holus Editora, Lages/SC – 2012, p. 117/118)


OS MENTORES E A ELEVAÇÃO MORAL DOS ENCARNADOS

A experiência mostra que aqueles que se dedicam amorosamente, a serviço do Cristo, recebem proteção espiritual especial e avançada.

Ninguém, entretanto, deve abusar ou descuidar da autoproteção. Os guias e protetores não são cabides ou bengalas à nossa disposição, durante 24 horas do dia como alguns pensam.

Muitas são as dificuldades enfrentadas pelas entidades que se dedicam ao serviço de proteção junto aos encarnados. Há uma grande diferença vibratória que os separam dos seus protegidos, assim como uma densa barreira formada pelas emanações mentais dos encarnados, que se projeta no astral.

A proteção espiritual é um pré-requisito para qualquer atividade nesse campo de forças dinamizadas pela mente. O domínio de muitas técnicas poderá fazer de você um servidor mais eficiente para atender a causa à que estamos sendo chamados. Porém, o amor ao próximo, que você manifesta trabalhando, é o fundamento que lhe dará a proteção e a segurança que precisa se realmente quer servir.

Consideramos que é uma imprudência a incursão nesse campo de trabalho, por parte daqueles que se aventuram nessa prática de intercâmbio sem a assistência superior. Assim, desaconselha-se qualquer prática de abordagem do mundo espiritual, porque, nesses casos, poderão vir a se tornar vítimas ou até escravos das forças as quais pretende anular, colocando o consulente em contato com forças que desconhece e das quais não saberá se proteger.

Reforçamos, mais uma vez, que somente contarão com assistência superior aqueles grupos que detenham, na caridade desinteressada, o objetivo maior dos seus esforços.

Se desejarmos proteção espiritual elevada, devemos alimentar sentimentos superiores e refletirmos a quem queremos servir, antes de ingressarmos nesse novo campo de serviço, onde não há espaço para dois senhores.

(João Pedro Farias Rodrigues, Introdução aos Fundamentos da Apometria, Gráfica Pallotti Artlaser, Porto Alegre/RS – 2017, p. 67/68)


Devido às dificuldades impostas pelo próprio médium, muitas vezes os Mentores não podem movimentar todo o potencial energético de que dispõem, pois o médium com seus condutores alterados, oferecendo resistência à passagem de correntes astromagnéticas, poderia ter sua constituição ameaçada em sua integridade.

A condição de suportar todo o “embate” de energias envolvidas na magia, que faz do médium um mago e sacerdote, é aquisição de vidas passadas, um “dom” que cursos ou ritos não podem oferecer. 

Reflitamos que, após ter iniciado suas atividades como médiuns, a maioria dos indivíduos tem ainda seus canais energéticos com certos estreitamentos locais, certas “deformidades”, que correspondem às imperfeições mentais e astrais que vibram do subconsciente, geradas por atos em outras vidas (ressonâncias de vidas passadas), armazenadas na memória Astral inconsciente do médium os conteúdos que originaram esses bloqueios.

Esta sutil e programada interferência na memória perene (registros de vidas passadas) do médium é feita à medida que o mesmo vai adquirindo condições, através do aprendizado com os Mentores e com o Mestre encarnado que o orienta, de resolver esses dilemas conscienciais e seguir avante na jornada evolutiva espiritual.   

(Norberto Peixoto, Exu – O Poder Organizador do Caos, 2ª edição, Editora Legião, Porto Alegre/RS – 2016, p. 39/40)


FALANGES DE TRABALHO

Pai Velho

“(…) Pai Jacó explicou (…) que ele havia sido um médico holandês em encarnação anterior, mas na última viera como negro. E como nela aprendera e desenvolvera a virtude da humildade, preferia manifestar-se como preto-velho.”

(José Herculano Pires, Ciência Espírita, cap. IX)

“Negros e índios têm o mesmo direito de colaborar nesta hora de transição, como brancos e amarelos.

Mas sem a orientação segura do pensamento doutrinário, nas bases sólidas, lógicas e altamente culturais de Kardec, estaremos ameaçados de cair nos barrancos do caminho pelas mãos pretensiosas de cegos condutores de cegos.”

(José Herculano Pires, Ciência Espírita, cap. IX)

“(…) dentro do mais alto espírito evangélico (…).

Não é raro vermos caboclos, que engrolam a gramática nas suas confortadoras doutrinações, mas que conhecem o segredo místico de consolar as almas aliviando os aflitos e os infelizes (…).”

(Francisco Cândido Xavier, Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, cap. 29)

A equipe espiritual ocupa lugar de destaque na dinâmica de atendimento, assumindo as funções de proteção, planejamento e coordenação de todo o serviço de assistência.

Ela é multidisciplinar e cada entidade assumirá uma função de acordo com sua habilitação, conquistada ao longo de muitos anos de estudo e preparação na espiritualidade.

Essa equipe multidisciplinar de servidores poderá contar algumas vezes com a presença de entidades transfiguradas como índios ou pretos velhos. Observa-se, com frequência, que religiosos, médicos, professores e engenheiros participam dessas equipes socorristas. Todos esses servidores auxiliarão no socorro espiritual, de acordo com a necessidade do atendimento, prevista em instâncias mais elevadas.      

Não se trata de sincretismo religioso aceitar a presença de entidades transfiguradas, pois a assistência espiritual se faz com os conhecimentos especializados de cada um. Cada entidade, presente na equipe de serviço, dá a contribuição que pode de acordo com o que já alcançou de saberes em determinado setor de atividade assistencial.

Algumas entidades são elevadas demais para se impressionarem com as nossas atitudes atávicas e infantis de homenageá-las. Portanto, é desnecessário adotar certas práticas ritualísticas desta ou daquela corrente filosófico-religiosa, quando determinada entidade espiritual está presente e transfigurada como forma de ocultar a própria identidade, em uma atitude de humildade.

(João Pedro Farias Rodrigues, Introdução aos Fundamentos da Apometria, Gráfica Pallotti Artlaser, Porto Alegre/RS – 2017, p. 68/69)


Segundo o espírito VOVÓ MARIA CONGA, por meio do médium Norberto Peixoto:

A sabedoria da Providência Divina não se circunscreve aos ideais egoístas dos homens que criaram todas essas divisões no misticismo, com a Espiritualidade que é única. Não existe uma religião que prepondere no Cosmo, e sim um amor no Universo que a todos une. A motivação básica que nos move nos trabalhos de auxílio socorrista está personificada na Terra na figura de Jesus.

Um irmão socorrido nos charcos do Umbral Inferior, na maioria das vezes, precisa de um instante de esclarecimento em contato com fluidos animalizados que um médium oferece, pois está tão fixo em seus desequilíbrios mentais que não nos enxerga. Em análise preliminar de suas encarnações passadas, podemos verificar que esse irmão foi muito ligado ao catolicismo e às crenças dessa religião. Como resguardamos as consciências, em vez de ser orientado em uma casa de Umbanda, em que se apresentarão muitos silvícolas e pretos velhos com suas práticas ligadas aos elementos da natureza, preferimos conduzi-lo à conversação que lhe é mais familiar.

E, assim, na mesa espírita, vendo-se no meio de freiras, clérigos, médicos, enfermeiros, literatos e doutores da lei, esse irmão se sente mais à vontade e é mais receptivo ao esclarecimento.

Muitos caciques e pretos velhos “transformam-se” em médicos gregos ou egípcios, em túnicas brancas reluzentes, e a todos amparamos em nome do amor crístico.

Moldamos nossos corpos astrais de acordo com as conveniências da caridade a ser prestada.

Muito espírito de médico, considerado muito “elevado” e evoluído no meio dos homens, trabalha anonimamente como humilde pai preto na Umbanda, pois em encarnação passada assim o foi.

Não nos apresentamos como uma preta velha nas mesas porque o nosso comprometimento nessa configuração astral é na egrégora de Umbanda, e tais manifestações dos nossos corpos astrais estão de acordo com os homens e suas consciências. Respeitemo-las.

(Norberto Peixoto/Vovó Maria Conga, Evolução no Planeta Azul, 2ª edição, Editora do Conhecimento, Limeira/SP – 2005, p. 117/118)


OS FALANGEIROS

A Linha de Direita é composta pelos falangeiros dos Orixás, os Pretos-Velhos, os Caboclos, os Boiadeiros, as Crianças, os Marinheiros, os Baianos, os Orientais, entre outros.

A Linha de Esquerda é o Povo de Rua, os espíritos Guardiões, que são os Exus, as Pombagiras, os Ciganos, os Exus Mirins, as Pombagiras Mirins, os Malandros, entre outros.

(Wanderley Oliveira /Pai João de Angola, Guardiões do Carma – A Missão dos Exus na Terra, Dufaux Editora, 1ª edição, Belo Horizonte/MG – 2017, pág. 66/70, 75/78 e 130/131)


Índio Guerreiro

ÍNDIOS  E CABOCLOS

Os caboclos, de maneira geral, são espíritos que se apresentam na forma de índios brasileiros, sul ou norte-americanos, que dispõem de conhecimento milenar do uso de ervas para banhos de limpeza e chás para auxílio à cura das doenças. Não sempre são só curadores, pois também servem na irradiação de Ogum como valentes guerreiros. São entidades simples, diretas, por vezes altivas, como velhos índios guerreiros.

São exímios nas limpezas das carregadas auras humanas e experientes nas desobsessões e nos embates com o Astral inferior.

(Norberto Peixoto, Apometria – Os Orixás e as Linhas de Umbanda, Editora Besourobox, Porto Alegre/RS – 2015, p. 128/129)


Segundo o espírito PAI JOÃO DE ANGOLA, por meio do médium Wanderley Oliveira:

Caboclos são considerados espíritos de índios que, após a desencarnação, viraram guias de luz que voltaram para a Terra a fim de prestarem a caridade ao próximo ou almas que assumiram a roupagem fluídica de Caboclo como instrumento de ideal.

São da Linha das Matas. Seus conselhos visam a melhorar o ânimo dos mais necessitados. Geralmente se utilizam de charutos e plantas para provocar a descarga espiritual de seu médium e também do seu consulente. 

(Wanderley Oliveira /Pai João de Angola – Nota de Rodapé, Guardiões do Carma – A Missão dos Exus na Terra, Dufaux Editora, 1ª edição, Belo Horizonte/MG – 2017, pág. 69)


Segundo o espírito PAI JOÃO DE ARUANDA (JOÃO COBÚ), por meio do médium Robson Pinheiro:

Os caboclos são exímios manipuladores de energias da natureza, de ectoplasma e bioplasma. Com o método que lhes é próprio, trabalham para auxiliar, como sabem, na recuperação de almas rebeldes e renitentes no mal. Espíritos violentos e grosseiros, de comportamento profundamente desequilibrado ou dementes espiritualmente, são muitas vezes conduzidos para as puxadas numa casa umbandista, onde são realizados os primeiros atendimentos. Depois, você poderá vê-los incorporados numa reunião espírita, recebendo o amparo e o esclarecimento, de acordo com sua necessidade e capacidade de assimilação.

Na umbanda, os processos obsessivos mais violentos são muitas vezes solucionados com a força guerreira dos caboclos.

Devido ao seu forte energismo, ao seu caráter inabalável e às suas experiências de guerra quando encarnados, que desenvolveram neles disciplina férrea, conquistada com mérito, são entidades temidas e respeitadas pelas falanges de espíritos conturbados e pelos marginais do astral inferior.

Quando incorporados em seus médiuns, trazem todo o trejeito de guerreiros, a força e firmeza do jovem e o respeito das experiências adquiridas em anos e anos de lutas ao longo das encarnações. Em essência, esse é o método umbandista, embora haja muitas variações dentro da própria umbanda.

(Robson Pinheiro/Ângelo Inácio, Aruanda, Editora Casa dos Espíritos, Contagem/MG – 2011, p. 197/198)


Segundo o espírito VOVÓ MARIA CONGA, por meio do médium Norberto Peixoto:

Estamos todos evoluindo ininterruptamente. Realmente, alguns caboclos são diretos e ríspidos em alguns momentos. São índios aguerridos que enfrentam todo o tipo de batalha com entidades de baixíssimo estado evolutivo, violentas, duras e raivosas. Enfrentam as organizações dos lúciferes do Umbral Inferior, resgatam prisioneiros e sofredores muitas vezes em condições extremamente adversas, em locais de grande densidade, quase que materializados e de dificílima movimentação.

Toda ação atuante das falanges da Umbanda é regida pela Lei do Carma e pelo merecimento do socorro oferecido àqueles que são amparados. Como as remoções e desmanchos envolvem grandes comunidades de desencarnados sofredores, seja mago negro ou soldado de organização do mal, as avaliações individuais da situação cómsica dos socorridos são feitas posteriormente nos locais de detenção do Umbral Inferior, que são fortalezas vibratórias da luz crística no meio da escuridão.

Logicamente um caboclo não terá a gentileza de uma freira na sua incursão às regiões trevosas e abismais, pois se assim fosse, o dispensaria da necessidade de apresentação do seu corpo astral como guerreiro indígena. 

Muitas vezes, uma voz rude e áspera denota espírito amoroso e sinceridade, ao contrário do verniz fraterno de mentes controladoras e maquiavélicas, que disfarçam seus verdadeiros sentimentos com a oratória recheada de conhecimento evangélico decorado em anos de estudo, mas com o coração árido de amor. 

(Norberto Peixoto/Ramatis, Evolução no Planeta Azul, 2ª edição, Editora do Conhecimento, Limeira/SP – 2005, p. 133)


Pretos e Pretas

PRETOS VELHOS

Os pretos velhos, tanto espíritos de idosos africanos escravizados e trazidos para o Brasil como de negros que nasceram em solo pátrio, são símbolos de sabedoria e humildade, verdadeiros psicólogos de profundo conhecimento dos sofrimentos e das aflições humanas. A todos esses espíritos missionários consolam amorosamente, como faziam antigamente, inclusive nas senzalas, após longo dia de incansável trabalho físico.

A infinita paciência em ouvir as mazelas e choramingas dos consulentes faz dos pretos velhos as entidades mais procuradas nos terreiros. Assim como os caboclos, usam ervas em suas mandingas e mirongas.

Suas rezas e invocações são poderosas.

Com suas cachimbadas e fala matreira, espargem fumaça sobre a pessoa que está recebendo o passe e higienizam as auras com larvas astrais e energias negativas. Com seus rosários e seu grande amor, são notáveis evangelizadores do Cristo e, com muita “felicidade”, doutrinam os obsessores que acompanham os consulentes.

Demonstram que não é o conhecimento intelectual ou a forma racial que vale no atendimento caridoso, mas a manifestação amorosa e sábia, de acordo com a capacidade de entendimento de cada filho de fé que os procura.  

(Norberto Peixoto, Apometria – Os Orixás e as Linhas de Umbanda, Editora Besourobox, Porto Alegre/RS – 2015, p. 129)


Segundo o espírito ÂNGELO INÁCIO, por meio do médium Robson Pinheiro:

Eles penetram nos antros virulentos do umbral ou (…) invadem as bases das sombras, transubstanciam seus corpos espirituais e manipulam as matérias e os fluidos astrais com maestria e extrema competência.

Aliada a essa habilidade, guardam a sabedoria milenar que arquivaram em sua memória espiritual e, disfarçados na aparência perispiritual de pais-velhos, gozam de simplicidade e discrição.

São, muitas vezes, antigos iniciados, sacerdotes ou hierofantes cujo passado está vinculado às remotas civilizações dos atlantes, egípcios, persas e outros mais.

Contudo, preferem o trabalho anônimo a se revelarem em sua verdadeira feição espiritual; sem ostentar seus conhecimetos, camuflam-se na roupagem fluídica de um ancião negro.    

(Robson Pinheiro/Ângelo Inácio, Aruanda, Editora Casa dos Espíritos, Contagem/MG – 2011, p. 170)


Ibejada

CRIANÇAS

As crianças nos trazem alegria e o poder da honestidade, da pureza infantil.

Aparentemente frágeis, têm muita força na magia e atuam em qualquer tipo de trabalho. Essa vibratória serve, também, para elevar a autoestima do corpo mediúnico, após atendimentos em que foram transmutados muita tristeza, mágoa e sofrimento.

Cremos que esta é a linha vibratória mais sutil da Umbanda. Espíritos que se apresentam como crianças chamam-nos a atenção quanto à pureza da alma, necessária para a liberação deste ciclo de reencarnações sucessivas.    

Certa vez, disse-nos um preto velho que, onde uma criança pisa, não tem feitiço que resista e obsessor que não se amanse.     

Essas entidades utilizam-se muito pouco de elementos materiais e, por vezes, de doces e guaranás, que são imantados com suas vibrações e servem como catalisadores das energias curativas – e cada um recebe proporcionalmente à sua necessidade individual. 

(Norberto Peixoto, Apometria – Os Orixás e as Linhas de Umbanda, Editora Besourobox, Porto Alegre/RS – 2015, p. 130, 135/136)


Crianças ou Ibejada são espíritos que incorporam trazendo nomes infantis, expressando-se como uma criança, nos gestos e na inocência das brincadeiras, transmitindo muita alegria. 

Possuem a experiência de várias encarnações, mas com a irreverência e a algazarra das crianças.

(Wanderley Oliveira/Pai João de Angola, Guardiões do Carma – A Missão dos Exus na Terra, Dufaux Editora, 1ª edição, Belo Horizonte/MG – 2017, p. 131) 


Segundo o espírito VOVÓ MARIA CONGA, por meio do médium Norberto Peixoto:

No exercício da caridade desinteressada, as falanges benfeitoras do orixá Yori trazem momentos de resgate da pureza espiritual a todos, pois assim como o estavam ao alcance da aura quilométrica, também dessa forma agem tais entidades.

Por determinações superiores, compartilham suas vibrações sutilizadas, conduzindo todos os circunstantes, médiuns e consulentes, a um momento de felicidade tranquila e serena, qual sentimento de beatitude que arrebatava aqueles que escutavam as doces palavras de alento do Cristo Jesus.

As entidades que labutam na Umbanda na faixa de Yori se apresentam em formas astrais infantis, de crianças, sendo em sua maioria espíritos puros, do bem.  Por intermédio das suas vibrações de pureza e inocência espiritual, imprimem sutilíssimas impressões em todos os que lhes estão no raio de ação. Vinculam-se ao psiquismo dos aparelhos mediúnicos, a fim de lograrem rebaixamento vibracional para realizarem a magia que lhes é destinada.

Conseguem atuar nos sítios energéticos etéricos e astrais da natureza com grande desenvoltura, pois, por serem puros, “crianças espirituais”, estando totalmente desvinculados dos apelos inferiores tão comuns aos filhos retidos no ciclo carnal, são grandes magos junto aos imaculados espíritos da natureza.

Desfazem e neutralizam qualquer energia enfermiça. Por isso, é de uso comum nos terreiros o aforismo popular “o que os filhos das trevas fazem, qualquer criança desfaz para o bem”. 

Essas entidades, quando incorporadas, falam de maneira mansa, dando a impressão de serem infantis, induzindo os ouvintes a resgatarem em si a pureza espiritual há muito esquecida. Muitas provêem de estâncias cósmicas ainda inimagináveis aos filhos na Terra. 

(Norberto Peixoto/Ramatis, Evolução no Planeta Azul, 2ª edição, Editora do Conhecimento, Limeira/SP – 2005, p. 171/172)


Orientais

ORIENTAIS

Os orientais se apresentam como hindus, árabes, marroquinos, persas, etíopes, chineses, egípcios e tibetanos, e nos trazem conhecimentos milenares.

São espíritos que encarnaram entre esses povos e que ensinam ciências “ocultas”, cirurgias astrais, projeções da consciência, cromoterapia, magnetismo, entre outras práticas para a caridade que não conseguimos ainda transmitir em palavras.

Por sua alta frequência vibratória, criam poderosos campos de forças para a destruição de templos de feitiçaria e de magia negativas do passado, libertando os espíritos encarnados e desencarnados. Incentivam-nos no caminho da evolução espiritual, por meio do estudo e da meditação; conduzem-nos a encontrar o Cristo interno, por meio do conhecimento das leis divinas aplicadas em nossas atitudes e ações; atuam com intensidade no mental de cada criatura, fortalecendo o discernimento e a consciência crística.

(Norberto Peixoto, Apometria – Os Orixás e as Linhas de Umbanda, Editora Besourobox, Porto Alegre/RS – 2015, p. 131/132)


Os Orientais são entidades ligadas às curas e às ciências com profundos conhecimentos esotéricos da antiguidade.

Nessa linha se encontram as falanges de dos hindus, árabes, japoneses, chineses, mongóis, egípcios, entre outros.

Levam o encarnado a compreender as causas de suas enfermidades e a necessidade de mudança dos comportamentos que as geram, bem como a necessidade de seguirem à risca os tratamentos indicados.

São entidades que vêm com a missão de humanizar corações endurecidos e fecundar a fé, os valores espirituais, morais e éticos no mental humano.  

(Wanderley Oliveira/Pai João de Angola, Guardiões do Carma – A Missão dos Exus na Terra, Dufaux Editora, 1ª edição, Belo Horizonte/MG – 2017, p. 131) 


BoiadeirosBaianas

BOIADEIROS, MARINHEIROS E BAIANOS

Quanto às demais formas de apresentação das Entidades na Umbanda, entendemos que fazem parte da diversidade regional desse enorme país, estando de acordo com os agrupamentos terrenos.

Por exemplo: os boiadeiros pertencem a uma falange de espíritos que estão ligados à economia fortemente baseada na agropecuária; os marinheiros se manifestam mais intensamente nas regiões litorâneas que dispõem de portos, como o Rio de Janeiro; os baianos, no Sudeste, com ênfase para o estado de São Paulo, onde sempre foi intensa a migração de nordestinos.

(Norberto Peixoto, Apometria – Os Orixás e as Linhas de Umbanda, Editora Besourobox, Porto Alegre/RS – 2015, p. 132/133)


Os Boiadeiros são uma falange de espíritos de luz responsáveis por identificar e capturar quimbas a fim de que eles sejam tratados. 

Essas entidades têm natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, filho de branco com índio ou índio com negro, caracterizado como o caboclo sertanejo: Vaqueiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola.

Expressam a humildade, a força de vontade, a liberdade e a determinação do homem do campo.  

Os Marinheiros atuam no auxílio ao próximo, como guias para desmanche de feitiçaria, na dispersão de fluidos de baixo teor, ajudando a manipular ondas vibratórias densas que emanam de entidades maléficas.

Seus conselhos, sempre cheios de fé e esperança, trazem bom ânimo e consolação. 

Costumam trabalhar em grupos. São fortes, pois enfrentaram guerras e mares agitados, mas também conheceram a calmaria e a bonança.

Os Baianos pertencem à Linha das Almas, a mesma dos Pretos-Velhos.

Possuem uma capacidade de ouvir e de aconselhar, conversando bastante, falando baixo e mansamente. São carinhosos e passam segurança, mas não são do tipo que toleram desaforos.

(Wanderley Oliveira/Pai João de Angola, Guardiões do Carma – A Missão dos Exus na Terra, Dufaux Editora, 1ª edição, Belo Horizonte/MG – 2017, p. 130/131) 


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CIGANOS

Os ciganos são ricos em histórias e lendas. Foram nômades em séculos passados, pertencentes a várias etnias.

Em grande parte são do antigo oriente.

Erroneamente são confundidos com cartomantes ociosas de praças públicas que, por qualquer vintém, leem as vidas passadas. 

São entidades festeiras, amantes da liberdade de expressão, excelentes curadores, trabalham com fogo e minerais. Cultuam a Natureza e apresentam completo desapego às coisas materiais.

São alegres, fiéis, e ótimos orientadores em questões afetivas e de relacionamentos humanos.

Utilizam comumente, nas suas magias, moedas, fitas, pedras, perfumes e outros elementos para a caridade, de acordo com certas datas e dias especiais sob a regência das fases da Lua.

(Norberto Peixoto, Apometria – Os Orixás e as Linhas de Umbanda, Editora Besourobox, Porto Alegre/RS – 2015, p. 132)


Os Ciganos são uma falange de trabalhadores espirituais com valiosas contribuições no campo do bem-estar pessoal e social, saúde, equilíbrio físico, mental e espiritual, tendo em sua origem o trabalho com a natureza, as energias do Oriente, cristais, incensos, pedras energéticas, cores, os quatro sagrados elementos da natureza.

Utilizam-se exclusivamente de magia branca natural, além de banhos e chás elaborados exclusivamente com ervas.

São muito altivos, assetivos no que falam, seguros de si, do que enxergam e no que acreditam.

(Wanderley Oliveira/Pai João de Angola, Guardiões do Carma – A Missão dos Exus na Terra, Dufaux Editora, 1ª edição, Belo Horizonte/MG – 2017, p. 131) 


Exu

GUARDIÕES (EXUS)

Na Terra, as condensações energéticas formadas pela comunhão de pensamentos seriam nefastas se não houvesse a atuação das vibrações ditas Exus, desfazendo as correntes astral-mentais negativas, que são plasmadas dia e noite sem trégua.

Todavia, indicaremos, de um modo geral, a atuação das entidades ditas exus quando autorizadas dentro da lei de causa e efeito, e com o merecimento conquistado por aqueles que estão sendo amparados por suas falanges: desmancham e neutralizam trabalhos de magia negra, desfazem formas-pensamentos mórbidas, retém espíritos das organizações trevosas e desfazem as habitações dessas cidadelas; removem espíritos doentes que estão vampirizando encarnados; retiram aparelhos parasitas, reconfiguram espíritos deformados em seus corpos astrais; desintegram feitiçarias, amuletos, talismãs e campos de forças diversos que estejam vibrando etericamente; atuam em todo campo da magia necessário para o restabelecimento e equilíbrio existencial dos que estão sendo socorridos.

A espiritualidade como um todo abarca todos vós, e a cada um é dado de acordo com a sua capacidade de entendimento.

Evidente que a sinagoga, a igreja, a loja, o centro, o terreiro ou o templo são meras denominações que localizam os homens em seus ideais espirituais. Nesse sentido, o Exu da Umbanda é o mesmo em todos os lugares.

(Norberto Peixoto/Ramatis, Jardim dos Orixás, 2ª edição, Editora do Conhecimento, Limeira/SP – 2006, p. 67/68, 86/87)


Há muitos espíritos que na Terra tiveram experiência na carreira militar ou em alguma outra função que lhe propiciasse o desenvolvimento de certas qualidades necessárias a um guardião. Do lado de cá, serão aproveitados como tal. Oferece-se ao espírito a oportunidade de continuar, no mundo extrafísico, trabalhando naquilo que sabe e, desse modo, aperfeiçoar seu conhecimento e ganhar mais experiência.

Muitos militares do passado, comprometidos com o mau uso do poder e da autoridade, são convocados e convidados a se reeducarem nas falanges dos guardiões, reaprendendo seu papel. Para tanto, defendem as obras da civilização em geral, o patrimônio cultural e as instituições beneméritas. Outros espíritos, que dominaram certos processos e meios de comunicação quando encarnados, são convidados e estimulados a trabalhar nos vários laboratórios e bases de comunicação a serviço dos guardiões.

Generais, guerreiros, soldados, comandantes ou os simples recrutas, das diversas forças armadas da Terra são aproveitados com a experiência que adquiriram. Transcorrido o tempo natural de transição, após a morte física, apresentamos a esses espíritos a oportunidade de se refazerem emocional e moralmente.  

(Robson Pinheiro/Ângelo Inácio, Aruanda, 2ª edição, 24ª reimpressão, Casa dos Espíritos, Contagem/MG – 2016, p. 118/119)


Segundo o espírito VOVÓ MARIA CONGA, por meio do médium Norberto Peixoto:

Na concepção original do termo, não se classifica exu em um tipo de entidade.

É um princípio vibratório que obrigatoriamente participa de tudo. É dinâmico e está em tudo que existe. É a força que impõe o equilíbrio às criaturas que ainda têm carmas negativos a saldar. E, sendo assim, abrange uma enorme parcela no Cosmo imensurável.

Cada um dos filhos tem o seu exu individual. Cada orixá com seus correspondentes vibratórios tem seus exus.

É o exu, o executor das Leis Cósmicas.

A função de exu consiste em solucionar, resolver todos os trabalhos, encontrar os “caminhos” apropriados, “abri-los” ou “fechá-los” e fornecer sua ajuda e poder a fim de mobilizar e desenvolver junto à existência de cada indivíduo a sua situação cármica, bem como as tarefas específicas atribuídas e delegadas a cada um dos guias e protetores.

Infelizmente, existe muita confusão e controvérsia sobre os exus.

Na época mais cruel da escravatura dos negros, muitos fugiam e se abrigavam nas florestas. Esses esconderijos, locais de ajuntamento de escravos fugidos, na mata cerrada, ficaram conhecidos como “mocambos”.

Logo após a alforria dos negros, muitos homens mais destacados na sociedade de outrora começaram a espezinhar os ex-escravos chamando-os de “mocambos”, ou seja, rebaixando-os a fugitivos da lei.

O desdém que se estabeleceu para com esses irmãos foi de tal monta, que vários estabelecimentos comerciais e hospitais das principais capitais da época tinham em suas entradas placas com os dizeres “mocambos metidos a gente não são bem-vindos”, maneira desdenhosa encontrada de afrontar a liberdade que alcançava uma parcela importante para a sociedade da época.

Não muito diferente de outrora, e em igualdade preconceituosa dissimulada, como se tratassem de fugitivos das Leis do Cristo, muitos filhos nos dias de hoje classificam como exus as entidades espirituais que não são bem-vindas; espíritos sofridos, como obsessores de aluguel, que são um tanto violentos pois estão hipnotizados por grande poder mental que os subjuga, e com sérias deformações astrais, que se apresentam nas atividades mediúnicas em algumas casas que apregoam “fora da caridade não há salvação”.

Reconhecemos que há maior exigência dos médiuns e dirigentes nesses casos, mas os filhos não devem esquecer que tais “deformados” e sombrios espíritos são dignos de todo respeito e carinho, devendo ser tratados como “gente” do Cristo Jesus e recepcionados com o coração mais exaltado de amor e júbilo do que nas ocasiões em que os mentores aureolados de luz se fazem presentes, já que são mais necessitados do magnetismo animal para se “recomporem”. Levam a efeito a caridade socorrista como fazia o Divino Mestre na Terra com os leprosos, aleijados, tuberculosos e loucos; a todos, atendendo com amor e dedicação esmerada, sem receio de contágios doentios.

Esses espíritos sofredores foram e são submetidos aos capatazes e torturadores das organizações malévolas e escravizantes do submundo inferior que habitam o Umbral. Verdadeiramente não tem nada a ver com os genuínos exus da Umbanda.  

Embora os espíritos que atuem na egrégora umbandista tenham a denominação de exus, não o são verdadeiramente, pois a vibração de exu em si não se relaciona com o mundo da forma diretamente, mas sim por intermédio de entidades espirituais que atuam como “procuradores” na magia de cada exu, e que se relacionam com as sete vibrações do orixás (…).

São os genuínos exus da Umbanda que garantem a segurança dos trabalhos, mantém a organização e a disciplina e são grandes “combatentes” quando em atividades socorristas e de resgates nas organizações malévolas do Umbral Inferior. 

Os exus da Umbanda não têm nada a ver com espíritos maldosos, embora não sejam o melhor exemplo de delicadeza amorosa aos olhos dos filhos. São espíritos um tanto endurecidos pela excessiva vivência passada nos rituais de enfeitiçamentos da magia negra, pois já foram destemidos magos. 

Têm para si pesados carmas gerados por eles próprios, e evoluem no caminho do bem como todos. Realizam desmanchos e mantém a integridade física, etérica e astral dos médiuns a que se vinculam por compromissos evolutivos mútuos e por fortes laços de ancestralidade, pois ambos já se serviram nos descaminhos da magia usada em proveito próprio e para desgraça de outrem. 

São eficazes “exaustores”, preservando os médiuns de energias deletérias. 

(Norberto Peixoto/Vovó Maria Conga, Evolução no Planeta Azul, 2ª edição, Editora do Conhecimento, Limeira/SP – 2005, p. 188/194)


SETE, o Guardião das Sombras, por meio do médium Robson Pinheiro:

Exu é uma palavra comum ao vocabulário do candomblé e dos demais cultos de influência africana, usada também em algumas tendas de umbanda. Mas os nomes, em si mesmos, têm a finalidade apenas de nos identificar; não é importante que nos chamem deste ou daquele jeito.

Na umbanda e no candomblé somos chamados de exus, porém, em outras doutrinas ou religiões os nomes mudam. Não faz diferença, somos apenas guardiões a serviço do bem, da justiça e da paz.

De qualquer forma, é interessante observar o sentido original do termo exu, que representa, no contexto da mitologia africana, o princípio negativo do universo, em oposição a orixá, que seria a polaridade positiva.  Os exus são, por outro lado, entidades que atuam como elemento de equilíbrio e de ligação com o aspecto negativo da vida e com os seres que se apresentam como marginais do plano astral.

Na verdade, Exu é uma força da natureza, a contrapartida de Orixá. Tudo é duplo na natureza, tudo possui a polaridade positiva e a negativa: homem e mulher, masculino e feminino, luz e sombra ou yang e yin, na terminologia chinesa.

Assim sendo, para a cultura africana, Orixá representa o lado positivo, enquanto Exu, o lado negativo. Repare: negativo, e não mal; apenas o oposto, a polaridade. Exu é força de equilíbrio da natureza.

Como entidade reencarnante ou como espírito imortal, exu representa a abertura de todos os caminhos e a saída de todos os problemas, Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas, e também é vaidoso e viril.

Ocorre entre nós algo semelhante ao que acontece em um exército, no qual há os militares mais conscientes de suas responsabilidades e também aqueles recentemente alistados, sem consciência tão ampla assim. De um lado, temos os exus superiores, guardiões mais responsáveis, que não se prestam a objetivos frívolos nem compactuam com os chamados despachos ou ebós, recurso compartilhado por ignorantes dos dois planos da vida. De outro, estão os exus menores, aqueles que poderíamos chamar de recrutas, e os guardiões particulares, que, não tendo ainda maiores esclarecimentos, são subordinados ao alto comando. No entanto, todos têm seu livre-arbítrio, e, vez por outra, esses guardiões de vibração inferior entram em sintonia com os homens e médiuns ignorantes, estabelecendo com eles uma ligação energética doentia ou infeliz.

(Robson Pinheiro/Ângelo Inácio, Aruanda, 2ª edição, 24ª reimpressão, Casa dos Espíritos, Contagem/MG – 2016, p. 123/125)


Como algumas formas de apresentação na Umbanda – notadamente as de Pretos Velhos e de Crianças – são “ocupadas” por espíritos que vibram em certas frequências mais sutis, ficam “impedidas” de atuar em determinados sítios vibracionais – de sofrimentos das humanas criaturas encarnadas e desencarnadas e onde se exigem intensos desmanches energéticos, sob pena de se imporem pesados rebaixamentos vibratórios que seriam motivo de esforço desnecessário, pela regularidade exigida nesse tipo de atuação nas lides umbandistas. Para tanto, se utilizam da “serventia” dos Exus como instrumentos e agentes da magia – como se fossem partes, mas cada um na sua faixa de caridade e ação energética, se “complementando” no ideal de amparo e socorro àqueles que fazem jus diante dos tribunais cósmicos. Isso não significa que as entidades Exus sejam menos evoluídas do que as demais e muito menos que não possam existir espíritos iluminados, libertos completamente do ciclo reencarnatório, atuando por amor a nós como Exus. 

Exu, sendo o senhor dos caminhos abertos, transmite o conhecimento e a sabedoria necessários à realização de um bom destino na existência ampla – humana na Terra (Ayê) e espiritual no Plano Astral (Orun). Por isso é aquele que “abre” os caminhos para quem recorre a ele em busca de alívio às suas dores e sofrimentos, quando estão desorientados e confusos, sem senso de direção. Há que se considerar que Exu abre os caminhos, mas não os cria. Os caminhos foram criados antes do espírito reencarnar e pertencem ao seu programa de vida, à cabaça da existência espiritual. Ou seja, Exu abre e mostra os caminhos, mas não dá os passos por ninguém, pois cada um deve aprender a caminhar com seus próprios pés. Logo, Exu não facilita nem prejudica, ele “simplesmente” é executor do destino, doa a quem doer, o que, por vezes, o faz ser incompreendido.

Exu “transita no mundo dos mortos” e age em nosso auxílio. Devemos compreender que a morte não é só física, cadavérica, com cemitérios e ritos fúnebres.

A atuação de Exu nos processos de morte se refere à renovação, pois tudo no universo humano tem um início e um fim: fatos, projetos, circunstâncias, conflitos – são ciclos que nascem e morrem.

Há que se esclarecer que Exu zela por valores éticos e reconhece o poder de melhoramento dos seres humanos. Todavia, apoia e favorece as mudanças pessoais, indispensáveis à prática de virtudes que alicerçam o bom caráter. Quando isso está ausente, Exu não aprecia e não apoia, pois a indisciplina e a desorganização não fazem parte de sua ação. Ao contrário, ele retifica, faz a sombra vir à tona para o indivíduo se aprumar, mesmo que aparentemente isso possa parecer maldoso, pois Exu, acima de tudo, é justo, doa a quem doer. 

Há de se ter bem claro que Exu não faz mal a ninguém, ao menos os verdadeiros. Quanto aos espíritos embusteiros e mistificadores que estão por aí, encontram sintonia em mentes desavisadas e sedentas por facilidades de todas as ordens.

Os Exus atuam diretamente no nosso lado sombra e são os grandes agentes de assepsia das zonas umbralinas. Em seus trabalhos, cortam demandas, desfazem feitiçarias e magias negativas feitas por espíritos malignos, em conluio com encarnados que usam a mediunidade para fins nefastos. Auxiliam nas descargas, retirando os espíritos obsessores e encaminhando-os para entrepostos socorristas nas zonas de luz no Astral, a fim de que possam cumprir suas etapas evolutivas em lugares de menos sofrimento.

Todo espírito guardião é um Exu, mas nem todo Exu é um guardião. As entidades Exus têm múltiplas funções e uma delas é guardar os caminhos, as encruzilhadas vibratórias, os portais dimensionais.

Constituem uma força Astral nada desprezível e organizam-se à semelhança de um exército, com seus diversos departamentos hierárquicos. Há necessidade de se estabelecer ordem e disciplina em todos os domínios do Universo. Dessa forma, a falange dos guardiões desempenha uma função de zelar pela harmonia, a fim de evitar o caos no mundo Astral terrícola. Reflitamos que a presença de representantes da ordem atuando como forças disciplinadoras nas regiões inferiores é imprescindível, se levado em conta o estado atual da evolução planetária. Poderíamos imaginar como seriam nossas atividades espirituais sem a dedicação e o trabalho dos Exus guardiões? Imaginemos ruas, quadras, bairros, cidades ou países sem policiamento, sem disciplina, sem ordem alguma…

Existem barreiras magnéticas de proteção e falanges espirituais zelando pelos desligamentos. Consideremos que as tumbas mortuárias são quase inexpugnáveis, salvo nos casos em que são permitidas as violações no Astral. Tenhamos em mente que determinados espíritos, suicidas indiretos (como os alcoolistas, os viciados em drogas e os motoristas que ultrapassaram os limites de segurança e acabaram morrendo prematuramente), não cumpriram o prazo necessário de permanência nos corpos físicos, já que vieram programados com um quantum de energia para “x” anos de vida. Quando interrompem essa programação, mesmo que inconscientemente, têm de cumprir o prazo de vida restante ficando seus perispíritos “grudados” nos despojos carnais, ou seja, não serão desligados dos restos cadavéricos até que expire o tempo de vida que ainda teriam que viver. Nesses casos, os Exus de cemitérios – de calunga – zelarão pela integridade das tumbas mortuárias, como também acompanharão e assistirão de perto os desligamentos daqueles que têm merecimento.  

(Norberto Peixoto, Exu – O Poder Organizador do Caos, 2ª edição, Editora Legião, Porto Alegre/RS – 2016, p. 23, 25, 36, 111, 124/125, 131/132)


Bombogira

BOMBOGIRA

A Bombogira, na Umbanda, é a contraparte feminina de Exu. Originalmente, na estrutura cosmogônica nagô, Exu é masculino, não existindo Exu feminino. Ocorre que a Umbanda sofreu influência também de origem bantu – Angola -, que tem divindades chamadas inquices (nkise), entre elas Aluvaiá, Bombogira, Vangira, Pambu Njila.

Naturalmente, por associação, a Umbanda, tendo surgido no estado do Rio de Janeiro, de forte influência africana bantu, foi absorvendo em seu panteão a figura de Bombogira, dando oportunidade a uma plêiade de espíritos comprometida em se manifestar na polaridade feminina – mulheres – vir a trabalhar no mediunismo.

Entendemos a Bombogira como mensageira junto aos Orixás femininos, trabalhando na magia que envolve principalmente aspectos a serem ajustados por desequilíbrio das humanas criaturas: abortos, traições amorosas, feitiços sexuais… O fato de algumas dessas entidades, em seu passado, terem sido prostitutas não as desmerece, assim como Maria de Magdala (Maria Madalena) foi a grande apóstola de Jesus.

(Norberto Peixoto, Exu – O Poder Organizador do Caos, 2ª edição, Editora Legião, Porto Alegre/RS – 2016, p. 152/153)


As “Pombagiras” são entidades vistas como a personificação das forças da natureza.

Ela equivale à força feminina de exu, especializada em amor e relacionamentos por ser a Orixá do desejo e dos estímulos.  Têm personalidade forte, são poderosas…

(Wanderley Oliveira, Guardiões do Carma – A Missão dos Exus na Terra, Dufaux Editora, 1ª edição, Belo Horizonte/MG – 2017, p. 22 – nota de rodapé) 


FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. (Allan Kardec)
Chico 01
 EDITADO EM 17.05.2018