O PODER DAS ORAÇÕES

FLEUR DE LYS

O PODER DAS ORAÇÕES

Crianças em Prece


SEGUNDO AS ESCRITURAS

Criança em Prece


BÍBLIA SAGRADA

E a oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E se houver cometido pecados, ele será perdoado.

Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz.

(Tiago 5:15-16)

 

E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis.

(Mateus 21:22)


O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Pergunta nº 658 – A prece é agradável a Deus?

A prece é sempre agradável a Deus quando é ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para ele, e a prece do coração é referível à que se pode ler, por bela que seja, se a lês mais com os lábios que com o pensamento. A prece é agradável a Deus quando é dita com fé por e sinceridade. Mas não creiais que ele seja tocado pelo homem fútil, orgulhoso e egoísta, a menos que isso seja, de sua parte, um ato de sincero arrependimento e de verdadeira humildade.

Pergunta nº 660 – A prece torna o homem melhor?

Sim, porque aquele que ora com fervor e confiança é mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia os bons Espíritos para o assistir. E um socorro que não é jamais recusado, quando pedido com sinceridade.

O essencial não é orar muito, mas orar bem. Essas pessoas creem que todo o mérito está na extensão da prece, e fecham os olhos sobre seus próprios defeitos. A prece, para elas, é uma ocupação, um emprego de tempo, mas não um estudo delas mesmas. Não é o remédio que é ineficaz, mas a maneira como é empregado.

Pergunta nº 662 – Pode-se orar utilmente por outrem?

O Espírito daquele que ora age por sua vontade de fazer o bem. Pela prece, ele atrai para si os bons Espíritos que se associam ao bem que quer fazer.

Pergunta nº 663 – As preces que fazemos por nós mesmos podem mudar a natureza de nossas provas e desviar-lhes o curso?

Vossas provas estão entre as mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas, então, Deus tem sempre em conta a resignação. A prece chama para vós os bons Espíritos, que vos dão forças para suportá-las com coragem, e elas vos parecem menos duras.

Já o dissemos: a prece não é jamais inútil, quando ela é bem feita, porque fortalece, e é já um grande resultado. Ajuda-te, e o Céu te ajudará, sabes isso.

Aliás, Deus não pode mudar a ordem da Natureza ao capricho de cada um, porque aquilo que é um grande mal sob o vosso ponto de vista mesquinho e a vossa vida efêmera, é, frequentemente, um grande bem na ordem geral do Universo. Depois, quantos males não há de que o homem é o próprio autor por sua imprevidência ou por suas faltas! Ele é punido pelo que pecou. Entretanto, os pedidos justos são mais frequentemente atendidos, como não pensais. Credes que Deus não vos tem escutado porque ele não fez um milagre por vós, enquanto ele vos assiste por meios tão naturais que vos parecem o efeito do acaso ou da força das coisas.

Frequentemente, ou o mais frequentemente mesmo, ele vos suscita o pensamento necessário para vos tirar da confusão.


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Deus pode, pois, consentir com certos pedidos, sem derrogar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, subordinada sempre à sua vontade.

Seria ilógico concluir desta máxima: “Seja o que for que peçais na prece, crede que vos será concedido”, que basta pedir para obter, como seria injusto acusar a Providência se não atender a toda súplica que lhe é feita, uma vez que ela sabe, melhor do que nós, o que é para nosso bem.

Ora, se o sofrimento é útil à sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa que o doente sofra as dores de uma operação que lhe trará a cura.

O que Deus concederá ao homem, se ele lhe pedir com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação. Também lhe concederá os meios de se livrar por si mesmo das dificuldades, mediante ideias que fará que os Espíritos bons lhe sugiram, deixando-lhe dessa forma o mérito da ação. Ele assiste os que se ajudam a si mesmos, conforme esta máxima: “Ajuda-te, que o Céu te ajudará”, e não os que tudo esperam de um socorro estranho, sem fazer uso das próprias faculdades. Entretanto, na maioria das vezes, o que o homem quer é ser socorrido por um milagre, sem nada fazer de sua parte.

A prece é uma invocação. Por intermédio dela o homem entra em comunicação, pelo pensamento, com o ser a quem se dirige.

As preces feitas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução de suas vontades; as que se dirigem aos Espíritos bons são reportadas a Deus.

Para compreendermos o que se passa em tal circunstância, precisamos imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no fluido universal que ocupa o Espaço, tal qual nos achamos, neste mundo, dentro da atmosfera. Esse fluido recebe um impulso da vontade; é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, ao passo que as do fluido universal se estendem ao Infinito. Quando, pois, o pensamento é dirigido a um ser qualquer, na Terra ou no Espaço, de encarnado para desencarnado, ou de desencarnado para encarnado, estabelece-se uma corrente fluídica entre um e outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som.  

A energia da corrente guarda proporção com a do pensamento e da vontade. É assim que os Espíritos ouvem a prece que lhes é dirigida, qualquer que seja o lugar onde se encontrem; é assim que os Espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem suas inspirações, que se estabelecem relações a distância entre encarnados.

Pela prece o homem atrai o concurso dos Espíritos bons, que vêm sustentá-lo em suas boas resoluções e inspirar-lhe bons pensamentos. Ele adquire, desse modo, a força moral necessária para vencer as dificuldades e voltar ao caminho reto, se deste se afastou. Por esse meio, pode também desviar de si os males que atrairia pelas suas próprias faltas.

O homem se acha então na posição de alguém que solicita bons conselhos e os põe em prática, mas guardando a liberdade de segui-los ou não. Deus quer que seja assim, para que o homem tenha a responsabilidade dos seus atos e o mérito da escolha entre o bem e o mal.

A prece é recomendada por todos os Espíritos. Renunciar à prece é desconhecer a bondade de Deus; é recusar, para si, a sua assistência e, para os outros, abrir mão do bem que lhes pode fazer.

Do coração do egoísta, daquele que ora com os lábios, podem sair apenas palavras, mas não os impulsos de caridade que dão à prece todo o seu poder.

O poder da prece está no pensamento. Não depende de palavras, nem de lugar, nem do momento em que seja feita.

A prece em comum tem ação mais poderosa, quando todos os que oram se associam de coração a um mesmo pensamento e têm o mesmo objetivo.

Cem pessoas reunidas podem orar como egoístas, enquanto duas ou três, ligadas por uma mesma aspiração, oram como verdadeiros irmãos em Deus, de sorte que a prece que dirijam a Deus terá mais força do que a das cem outras.

A prece só tem valor pelo pensamento que lhe está conjugado. Ora, é impossível conjugar um pensamento qualquer àquilo que não se compreende, pois o que não se compreende não pode tocar o coração.

Para que a prece toque, é preciso que cada palavra desperte uma ideia; ora, a palavra que não é entendida não pode despertar ideia nenhuma.

(Allan Kardec/trad.: Evandro Noleto Bezerra, O Evangelho segundo o Espiritismo, p. 315/322)


PRECE

LIGAÇÃO COM O PAI CRIADOR

Uma eficiente maneira de conseguir a ligação entre a criatura e o Pai Criador é a oração ungida de sentimentos nobres.

A emissão da onda mental dirigida a Deus com vigor e humildade, vence os espaços infinitos e é captada pelo Genitor Celeste, que a responde, utilizando-se de idêntica vibração, que é recebida de imediato.

Não são as palavras que vestem o pensamento, muitas vezes desnecessárias, que significam algo, se, por acaso, o sentimento de amor não as acompanhar.

Mais importantes do que as formas e as fórmulas convencionais são a intenção, o conteúdo intrínseco de que se constitui a prece.

Não será, portanto, pelo muito orar, repetindo palavras de contínuo, mas pelo orar bem, que a prece propicia benefícios inimagináveis, favorecendo a criatura com recursos desconhecidos e poderosos.

Pensa-se, invariavelmente, que a função da prece é de peditório, tendo-se em vista as necessidades reais e as imaginárias, rogando-se auxílio e soluções para os desafios existenciais, que fazem parte do processo de crescimento moral e espiritual a que todos são submetidos.

Em razão desse conceito equivocado, ora-se, apenas quando as dores e as dificuldades ameaçam, quando o indivíduo sente-se destituído de recursos para os enfrentamentos do dia a dia.

A prece não irá resolver os dilemas, os problemas, os desesperos. Revestida, porém, de unção, produz uma real ligação entre o orante e o Senhor da Vida, na qual, de imediato, se auferirá bem-estar, inspiração para encontrar soluções, reforço de energia, de modo que esses recursos contribuirão para o equacionamento da dificuldade e do desafio evolutivo.

É justo que a prece, por si mesma, não solucione os problemas humanos, o que redundaria em prejuízo moral àquele que ora, porquanto este necessita de lutar, a fim de aprender e conquistar o infinito.

O Espírito necessita somente da emissão do pensamento, que deve ser saudável, a fim de sincronizar com a Mente Divina, espalhada no Universo, estabelecendo-se a verdadeira identificação.

A prece não te evitará os sofrimentos, não impedirá que experimentes os testemunhos de reparação, mas te facultará melhor enfrentá-los e superá-los com alegria e gratidão.

Na condição de mecanismo de apoio para os acontecimentos e de estímulo para os cometimentos, usa a oração como hábito de banhar-te nas sublimes ondas do oceano do Amor Divino, e vencerás com galhardia as provas e as expiações do teu roteiro de elevação.

(Divaldo Franco/Joanna de Ângelis, Iluminação Interior, 3ª edição, Livraria Espírita Alvorada Editora, Salvador/BA – 2015, p. 161/165)


A prece não é movimento mecânico de lábios, nem disco de fácil repetição no aparelho da mente. É vibração, energia, poder.

A criatura que ora, mobilizando as próprias forças, realiza trabalhos de inexprimível significação.

Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contato com as fontes superiores. Dentro dessa realização, o Espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder.

(Francisco Cândido Xavier/André Luiz, Missionários da Luz, 45ª edição, 6ª reimpressão, Federação Espírita Brasileira, Brasília/DF – 2017, p. 69/70)


Orar ainda é o melhor remédio contra as investidas do mal. Além de o poder da oração nos elevar à conexão direta com a força suprema que rege o universo, à qual chamamos Deus e Pai, uma vivência sadia, de acordo com os ensinamentos de Nosso Senhor em seu Evangelho, faz com que se erga um tipo de aura ou barreira em torno de nós, dificilmente permeável aos ataques dos representantes do mal.

(Robson Pinheiro/Pai João de Aruanda, Magos Negros, 1ª edição, 8ª reimpressão, Casa dos Espíritos, Contagem/MG – 2016, p. 37)


BENEFÍCIOS DAS ORAÇÕES

Quando alguém ora, quase sempre são verbalizados os anseios da mente e do coração, facultando melhor concentração, especialmente naqueles que não estão acostumados à reflexão profunda. Sem dúvida, que não se trata de palavras memorizadas e repetidas sem qualquer emoção, com o pensamento distanciado, não participativo.

Acostumando-se à dependência de favores, a criatura transfere para Deus as suas necessidades, sem a resolução firme de solucioná-las, utilizando-se da prece como recurso persuasório, a fim de conseguir benefícios que os pode adquirir quando envida esforços e trabalho bem direcionado.

Não é essa a essência da oração. Ela tem como objetivo franquear ao Espírito as possibilidades de entendimento da vida e sua autoiluminação, como decorrência do bem-estar haurido nos momentos de integração na consciência Cósmica, com a qual permanece em perfeita união.

A oração, portanto, não pode ser colocada a serviço do atendimento dos desejos, normalmente infantis, da solução de interesses, nem sempre louváveis, mas revestir-se de emoções de louvor, de entrega, de submissão aos impositivos da Lei de Causa e de Efeito. Pudesse alterar as consequências advindas da irreflexão, proporcionando ventura ao infrator, saúde ao rebelde e insensato, e estaria defraudando o equilíbrio universal.

Em face disso, o momento de prece é de interação, de doação e de escuta, a fim de que sejam captadas as diretrizes existenciais que podem auxiliar na escalada ascensional.

Na síntese apresentada por Jesus, na oração dominical dirigida a Nosso Pai, está fixada a submissão à Sua vontade, em razão de não haver ainda no ser humano a necessária sabedoria para saber o que lhe é de melhor, aquilo que é mais importante para o seu processo de evolução (…). Quando a prece faculta a submissão à Sua vontade, há um enriquecimento espiritual do orante que o capacita aos enfrentamentos perturbadores com serenidade e grande alegria, por entender que fazem parte do processo de crescimento espiritual que lhe é necessário.

Invariavelmente, há uma associação entre orar e pedir, raramente para louvar ou agradecer.

Pudesse ou devesse a oração curar todos os males humanos, especialmente as enfermidades, e a existência no planeta seria impossível, em face da superpopulação, desde que a morte seria expulsa, desaparecendo a conjuntura que leva de retorno ao Grande Lar aqueles que de lá procedem.

A cura está adstrita a diversos fatores que a oração auxilia a tornar-se realidade, tais como: ampliação da saúde, mas não eliminação da doença, moratória orgânica e psíquica, no entanto, prosseguimento da luta e da recuperação dos débitos morais, diminuição das dores e dos conflitos, robustecendo o ânimo para melhores condições de superação da inferioridade…

As dúlcidas vibrações que decorrem da comunhão com Deus através da oração, beneficiam aquele que estabelece o vínculo, como também todos aqueles aos quais direciona o pensamento, envolvendo-os nas mesmas ondas de energia benéfica.

Desse modo, considerando as várias ocorrências de curas resultantes da interferência da prece, pode-se concluir que sempre será Deus a realizá-las, nada obstante os Bons Espíritos possam intermediar as bênçãos restauradoras e as emanações do orante contribuam para os resultados favoráveis.

Esse amor que se dedica ao próximo, que se expande como perfume penetrante, igualmente contribui em favor da restauração das energias do enfermo, bem como vitaliza aquele que o cultiva.

A oração, ungida de amor e de interesse pelo bem-estar de outrem, a entrega da solução que deverá vir a Deus, são recursos essenciais para os resultados ditosos, mesmo que não se lhe opere o restabelecimento orgânico desejado.

O mais importante será sempre a comunhão espiritual com a Fonte Geradora da Vida, da qual resultará o incomparável bem-estar que se pode fruir.

Jesus curou incontável número de enfermos que Lhe vieram buscar o auxílio, recomendando sempre que não volvessem aos descalabros morais que se permitiam, e apesar disso, não impediu que envelhecessem, que as organizações físicas se lhes degenerassem e a morte lhes adviesse porque são fases do processo evolutivo a que todos se encontram submetidos.

(Divaldo Franco/Joanna de Ângelis, Iluminação Interior, 3ª edição, Livraria Espírita Alvorada Editora, Salvador/BA – 2015, p. 131/134)


Em alguns casos, bem mais raros, pode haver necessidade de se dar passes em doentes situados a distância.

Esse é um processo que mais se enquadra em trabalho de magia teúrgica e a ele aqui nos referimos unicamente por amor ao método, visto que no Espiritismo não há, realmente, necessidade do emprego desses passes, porque, em vez de o fazer, basta que se formule uma prece em benefício do doente, dando sua localização; com esses elementos, os Espíritos protetores tomarão a si a assistência do doente, esteja ele onde estiver.

(Edgard Armond, Passes e radiações – Métodos espíritas de cura, 5ª edição, 5ª reimpressão, Editora Aliança, São Paulo/SP – 2017, p. 133)


Os Espíritos sofredores reclamam preces e estas lhes são proveitosas, porque, verificando que há quem pense neles, sentem-se menos abandonados, menos infelizes. Mas a prece tem sobre eles uma ação mais direta: reanima-os, incute-lhes o desejo de se elevarem pelo arrependimento e pela reparação e pode desviar-lhes o pensamento do mal. É nesse sentido que a prece pode não apenas aliviar, como abreviar seus sofrimentos.

(Allan Kardec/trad.: Evandro Noleto Bezerra, O Evangelho segundo o Espiritismo, p. 320)


ORAÇÃO AO “PAI NOSSO”

Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome!

Cremos em ti, Senhor, porque tudo revela o teu poder e a tua bondade. A harmonia do Universo dá testemunho de uma sabedoria, de uma prudência e de uma previdência que ultrapassam todas as faculdades humanas. Em todas as obras da Criação, desde o raminho de erva minúscula e o pequenino inseto, até os astros que se movem no espaço, o nome se acha inscrito de um ser soberanamente grande e sábio. Por toda a parte se nos depara a prova de paternal solicitude. Cego, portanto, é aquele que te não reconhece nas tuas obras, orgulhoso aquele que te não glorifica e ingrato aquele que te não rende graças.

Venha o teu reino!

Senhor, deste aos homens leis plenas de sabedoria e que lhes dariam a felicidade, se eles as cumprissem. Com essas leis, fariam reinar entre si a paz e a justiça e mutuamente se auxiliariam, em vez de se maltratarem, como o fazem. O forte sustentaria o fraco, em vez de o esmagar.

Evitados seriam os males, que se geram dos excessos e dos abusos. Todas as misérias deste mundo provêm da violação de tuas leis, porquanto nenhuma infração delas deixa de ocasionar fatais conseqüências.

Deste ao bruto o instinto, que lhe traça o limite do necessário, e ele maquinalmente se conforma; ao homem, no entanto, além desse instinto, deste a inteligência e a razão; também lhe deste a liberdade de cumprir ou infringir aquelas das tuas leis que pessoalmente lhe concernem, isto é, a liberdade de escolher entre o bem e o mal, a fim de que tenha o mérito e a responsabilidade das suas ações.

Ninguém pode pretextar ignorância das tuas leis, pois, com paternal previdência, quiseste que elas se gravassem na consciência de cada um, sem distinção de cultos, nem de nações. Se as violam, é porque as desprezam.

Dia virá em que, segundo a tua promessa, todos as praticarão.

Desaparecido terá, então, a incredulidade. Todos te reconhecerão por soberano Senhor de todas as coisas, e o reinado das tuas leis será o teu reino na Terra.

Digna-te, Senhor, de apressar-lhe o advento, outorgando aos homens a luz necessária, que os conduza ao caminho da verdade.

Faça-se a tua vontade, assim na Terra como no Céu.

Se a submissão é um dever do filho para com o pai, do inferior para com o seu superior, quão maior não deve ser a da criatura para com o seu Criador! Fazer a tua vontade, Senhor, é observar as tuas leis e submeter-se, sem queixumes, aos teus decretos. O homem a ela se submeterá, quando compreender que és a fonte de toda a sabedoria e que sem ti ele nada pode. Fará, então, a tua vontade na Terra, como os eleitos a fazem no Céu.

Dá-nos o pão de cada dia.

Dá-nos o alimento indispensável à sustentação das forças do corpo; mas, dá-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito.

O bruto encontra a sua pastagem; o homem, porém, deve o sustento à sua própria atividade e aos recursos da sua inteligência, porque o criaste livre.

Tu lhe hás dito: “Tirarás da terra o alimento com o suor da tua fronte.”

Desse modo, fizeste do trabalho, para ele, uma obrigação, a fim de que exercitasse a inteligência na procura dos meios de prover às suas necessidades e ao seu bem-estar, uns mediante o labor manual, outros pelo labor intelectual. Sem o trabalho, ele se conservaria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores.

Ajudas o homem de boa vontade que em ti confia, pelo que concerne ao necessário; não, porém, àquele que se compraz na ociosidade e desejara tudo obter sem esforço, nem àquele que busca o supérfluo.

Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-se com o que lhes havias concedido! Esses são os artífices do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidos naquilo em que pecaram. Mas, nem a esses mesmos abandonas, porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para ti.

Antes de nos queixarmos da sorte, inquiramos de nós mesmos se ela não é obra nossa. A cada desgraça que nos chegue, cuidemos de saber se não teria estado em nossas mãos evitá-la. Consideremos também que Deus nos outorgou a inteligência para tirar-nos do lameiro, e que de nós depende o modo de a utilizarmos.

Pois que à lei do trabalho se acha submetido o homem na Terra, dá-nos coragem e forças para obedecer a essa lei.

Dá-nos também a prudência, a previdência e a moderação, a fim de não perdermos o respectivo fruto.

Dá-nos, pois, Senhor, o pão de cada dia, isto é, os meios de adquirirmos, pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porquanto ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo.

Se trabalhar nos é impossível, à tua divina providência nos confiamos.

Se está nos teus desígnios experimentar-nos pelas mais duras provações, malgrado aos nossos esforços, aceitamo-las como justa expiação das faltas que tenhamos cometido nesta existência, ou noutra anterior, porquanto és justo.

Sabemos que não há penas imerecidas e que jamais castigas sem causa.

Preserva-nos, ó meu Deus, de invejar os que possuem o que não temos, nem mesmo os que dispõem do supérfluo, ao passo que a nós nos falta o necessário. Perdoa-lhes, se esquecem a lei de caridade e de amor do próximo, que lhes ensinaste.

Afasta, igualmente, do nosso espírito a idéia de negar a tua justiça, ao notarmos a prosperidade do mau e a desgraça que cai por vezes sobre o homem de bem. Já sabemos,

graças às novas luzes que te aprouve conceder-nos, que a tua justiça se cumpre sempre e a ninguém excetua; que a prosperidade material do mau é efêmera, quanto a sua existência corpórea, e que experimentará terríveis reveses, ao passo que eterno será o júbilo daquele que sofre resignado.

Perdoa as nossas dívidas, como perdoamos aos que nos devem. Perdoa as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos ofenderam.

Cada uma das nossas infrações às tuas leis, Senhor, é uma ofensa que te fazemos e uma dívida que contraímos e que cedo ou tarde teremos de saldar. Rogamos-te que no-las perdoes pela tua infinita misericórdia, sob a promessa, que te fazemos, de empregarmos os maiores esforços para não contrair outras.

Tu nos impuseste por lei expressa a caridade; mas, a caridade não consiste apenas em assistirmos os nossos semelhantes em suas necessidades; também consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. Com que direito reclamaríamos a tua indulgência, se dela não usássemos para com aqueles que nos hão dado motivo de queixa?

Concede-nos, ó meu Deus, forças para apagar de nossa alma todo ressentimento, todo ódio e todo rancor. Faze que a morte não nos surpreenda guardando nós no coração desejos de vingança. Se te aprouver tirar-nos hoje mesmo deste mundo, faze que nos possamos apresentar, diante de ti, puros de toda animosidade, a exemplo do Cristo, cujos últimos pensamentos foram em prol dos seus algozes.

Constituem parte das nossas provas terrenas as perseguições que os maus nos infligem. Devemos, então, recebê-las sem nos queixarmos, como todas as outras provas, e não maldizer dos que, por suas maldades, nos rasgam o caminho da felicidade eterna, visto que nos disseste, por intermédio de Jesus: “Bem-aventurados os que sofrem pela justiça!”

Bendigamos, portanto, a mão que nos fere e humilha, uma vez que as mortificações do corpo nos fortificam a alma e que seremos exalçados por efeito da nossa humildade. Bendito seja teu nome, Senhor, por nos teres ensinado que nossa sorte não está irrevogavelmente fixada depois da morte; que encontraremos, em outras existências,

os meios de resgatar e de reparar nossas culpas passadas, de cumprir em nova vida o que não podemos fazer nesta, para nosso progresso.

Assim se explicam, afinal, todas as anomalias aparentes da vida. É a luz que se projeta sobre o nosso passado e o nosso futuro, sinal evidente da tua justiça soberana e da tua infinita bondade.

Não nos deixes entregues à tentação, mas livra-nos do mal.

Dá-nos, Senhor, a força de resistir às sugestões dos Espíritos maus, que tentem desviar-nos da senda do bem, inspirando-nos maus pensamentos.

Mas, somos Espíritos imperfeitos, encarnados na Terra para expiar nossas faltas e melhorar-nos. Em nós mesmos está a causa primária do mal e os maus Espíritos mais não fazem do que aproveitar os nossos pendores viciosos, em que nos entretêm para nos tentarem.

Cada imperfeição é uma porta aberta à influência deles, ao passo que são impotentes e renunciam a toda tentativa contra os seres perfeitos. É inútil tudo o que possamos fazer para afastá-los, se não lhes opusermos decidida e inabalável vontade de permanecer no bem e absoluta renunciação ao mal. Contra nós mesmos, pois, é que precisamos dirigir os nossos esforços e, se o fizermos, os maus Espíritos naturalmente se afastarão, porquanto o mal é que os atrai, ao passo que o bem os repele.

Senhor, ampara-nos em nossa fraqueza; inspira-nos, pelos nossos anjos guardiães e pelos bons Espíritos, a vontade de nos corrigirmos de todas as imperfeições a fim de obstarmos aos Espíritos maus o acesso à nossa alma.

O mal não é obra tua, Senhor, porquanto o manancial de todo o bem nada de mau pode gerar. Somos nós mesmos que criamos o mal, infringindo as tuas leis e fazendo mau uso da liberdade que nos outorgaste. Quando os homens as cumprirmos, o mal desaparecerá da Terra, como já desapareceu de mundos mais adiantados que o nosso.

O mal não constitui para ninguém uma necessidade fatal e só parece irresistível aos que nele se comprazem.

Desde que temos vontade para o fazer, também podemos ter a de praticar o bem, pelo que, ó meu Deus, pedimos a tua assistência e a dos Espíritos bons, a fim de resistirmos à tentação.

(Allan Kardec/trad.: Guillon, O Evangelho segundo o Espiritismo, p. 496/504)


FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. (Allan Kardec)
Chico 01
 EDITADO EM 22.03.2020

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